PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF
MODELO E OBRIGAÇÃO NO PAF
1º Respeitar o Meio Ambiente que é o pulmão do mundo.
2º Ter tudo legal, manejo madeireiro e não madeireiro com suas indústrias.
3º Vender todos os produtos com o selo verde que é o certificado para agrega mais
Valores nos nossos produtos.
4º O manejo madeireiro não é para vender toras mais sim tudo industrializado.
5º fabricar móveis de qualidade, assoalho, forro, porta, janela, carrocerias para veículos, cabos de ferramentas, artesanatos, cabo de coador de café, escova de lavar roupa, vassoura, rodo, porteiras para curral, bretes para curral, lenha do pó de serra.
6º Manejo não madeireiro, colher e industrializar, a castanha em vários derivado dela mesma, óleo de copaíba, andiróba, sangue de dragão, babaçu, açaí, orquídea, talas, cipó, corante, taninos em fim.
7º plantio de pequenos cultivos e animais de pequeno porte, lavoura, horta, pomar, reflorestamento, criames de porcos, gado para despesa dos assentados, galinha, codornas, abelhas, aves de todas as espécies, criamos de animais silvestres com autorização do IBAMA, represas de peixes, tudo vai ser industrializados.
8º Para acontecer tudo isso diz que o Incra Nacional, esta fazendo convenio com o Serviço Florestal Brasileiro, para capacitar os assentados em todas as profições, para depois os assentados gerenciarem seus investimentos, seu meio de produção que são os maquinários, e indústrias, tudo no coletivo, porque são normas do PAF, e por que todas essas atividades que esta acima citada que não citamos 50% das atividades de produção do PAF como que vai sobrar tempo para querer a de rota do dividualismo que humilhou-nós escravizou-nós, fracassaram nosso futuro e acabou com a paz nas famílias camponesas, tantas tristezas com a vida de muitos e muitos filhos e filhas de camponeses por este dividualismo, e uma política suja do governo mentindo que esta.
9º Fazendo a reforma agrária apenas fez uma distribuição de um pedaço de terra muito mal para contentar os camponeses e camponesas, porque a maioria dos Camponeses não tinha o conhecimento do coletivo do cooperativismo e o sociativismo que hoje até o governo defende isso os movimentos pecaram em não desenvolver antes esta forma de assentamento florestal comunitário e trabalho coletivo.
10º Depois de avaliação do MCC, porque tantas mortes de camponês tantos massacres, se tem muita terras desapropriadas e cadê a Reforma Agrária, isso é falta de responsabilidades do Governo, porque as terras desapropriadas com Exemplo em Rondônia 23.450.000, Vinte e três Milhões e quatrocentas e cinqüenta mil Hectares desapropriadas de 1982 para cá, não assentou Camponês nessas áreas nem em dois milhões de hectares, cadê o resto? Isso é muito complicado porque esse total de terra desapropriada soma uma procentage de mais de 70% do estado de Rondônia e nem 20 mil famílias de Camponês foi assentado até hoje, veja bem, se cumprisse com o mo dolo do Incra no Estado assentava mais de 42.000 famílias e vem assentando famílias camponesa em 25 ha. e o Estado não tem 35.000 famílias de Camponeses sem terra no Estado, isso pode chamar ou dizer ok.
11º Por isso o MCC procurou na época um Engenheiro Florestal que tem princípios e defende o meio Ambiente e os movimentos Sociais que respeita a legalidade, o MCC procurou o que fazer? Junto achamos uma idéia de Assentamento Florestal comunitário, por isso temos o Orgulho que hoje o MCC é o Movimento Camponês que é pioneiro de Assentamento Florestal comunitário na Amazônia e no Brasil.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
MOVIMENTO CAMPONÊS CORUMBIARA- MCC;
PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL – PAF GLEBA CURUQUETÊ
Brasília
2009
1. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico PAF Gleba Curuquetê.
O Movimento Camponês Corumbiara – MCC, há mais de uma década, vem defendendo a luta para que os trabalhadores rurais tenha o legítmo direito de trabalhar em suas próprias terras, sendo assim, os próprios agentes de seu futuro e de suas famílias, e dessa forma contribuir de forma efetiva para o crescimento do país e para a paz na floresta.
Há dois anos as famílias do movimento camponês Corumbiara, pioneiros em assentamento florestal, mobilizam-se para o momento da ocupação na reserva Curuquetê.
Já é prova disso o período em que passamos acampados, em vigília, nas proximidades da reserva, assegurando assim, a integridade da floresta de forma que não comprometa o futuro da mesma e por conseqüência da economia em bases sustentáveis. Nesse período tivemos o pronto atendimento da polícia o que impediu a repressão por parte de quem não compreende ou não quer respeitar a nova ordem.
A busca pelo desenvolvimento sustentável não é apenas uma bandeira de luta que defendemos, nós acreditamos e não queremos repetir os erros do passado quando da ocupação equivocada da Amazônia.
Já aprendemos com erros, precisamos, portanto, ousar com o novo modelo que leve em consideração as características ambientais, as populações de indivíduos de outras espécies que habitam a floresta. Temos que ser responsáveis com uso dos recursos hídricos existentes, tão importantes e valiosos para as gerações presentes e futuras. Enfim usar de forma racional todos os recursos naturais que temos no principal patrimônio nacional: A Floresta Amazônica.
1.2. Justificativa.
Tendo em vista o violento histórico que processo de reforma agrária na região amazônica, que culminou na grilagem de terras públicas, exploração irracional dos recursos ambientais, violência contra trabalhadores rurais (inclusive com a morte de Chico Mendes, Dorothy Stang, entre outros que tombaram por defender a região), povos indígenas e populações tradicionais, agravando os problemas socioambientais e deteriorando a qualidade de vida desses estratos da sociedade e provocando forte desequilíbrio nas dimensões que compõem o princípio da sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável da Amazônia depende mais de uma visão própria dos seus problemas socioambientais do que de modelos importados. Devendo respeitar a diversidade de seus ecossistemas, a diversidade socioeconômica e cultural de suas populações, considerando principalmente os interesses das populações locais. A estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia deve ter como ponto central a percepção do meio ambiente regional, a partir dos interesses diretos das populações locais. Nesse contexto, em condições de pobreza que imperam em grande parte na área rural da Amazônia, um conceito-chave para abordar os problemas ambientais dessa região é o entendimento das necessidades básicas da população.
Um dos pontos básicos colocados para uma estratégia de desenvolvimento sustentável é, sem dúvida, o crescimento econômico-social fundamental para a melhoria das condições de vida da população regional. Nessa direção, além de respeitar e centrar os objetivos nas populações regionais, o desenvolvimento sustentável da Amazônia requer ainda a consideração de vários outros aspectos e princípios.
O presente projeto tem como meta se tornar modelo mundial de reforma agrária, divisão de renda, a partir do manejo florestal de uso múltiplo e de baixo impacto.
Para que esta tenha meta possa ser cumprida precisamos de todo esforço conjunto entre sociedade civil e poder público. O acúmulo de conhecimentos científicos e de organização social é fundamental para o êxito do projeto.
2. PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL - PAF
O PAF é uma modalidade de assentamento voltada para o manejo de recursos florestais em áreas com aptidão para a produção florestal familiar, comunitária e sustentável e é especialmente definido para a região Norte.
Além da extração de madeira, pretende-se explorar a produção de essências medicinais, plantas ornamentais, óleos vegetais, látex, resinas e gomas entre outros.
O PAF permite, também, o sequestro do carbono, a apartir da recuperação de áreas degradadas com reflorestamentos,exploração do ecoturismo e coleta de materiais genéticos para o desenvolvimento da biotecnologia.
3.
4.
5.
6. POTENCIALIDADES DO USO MÚLTIPLO DO PAF GLEBA CURUQUETÊ.
As possibilidades de exploração de uma floresta nativa, em qualquer parte do mundo, são inúmeras e em muitos casos desconhecidas. Essas possibilidades são ainda maiores e desconhecidas quando tratamos da maior floresta tropical do planeta.
Num primeiro momento quando falamos ou pensamos em exploração da floresta logo vem em mente o uso dos recursos madeireiros. Entretanto em se tratando de assentamento de trabalhadores rurais, somente esta possibilidade pode conduzir há um processo de empobrecimento da floresta e dependência de um único produto que acarretará com certeza além de desajustes sociais, uma economia frágil para o PAF.
A região do Purus-Madeira, área onde se encontra a região do Curuquetê apresenta uma grande riqueza de recursos naturais e de infinitas alternativas para o exercício do modelo em bases sustentáveis.
Quando nos referimos às bases sustentáveis, não falamos apenas em uso racional dos recursos naturais, falamos também com respeito às culturas locais, distribuição de forma justa da renda aferida a partir da agregação de valor aos produtos oriundos da floresta.
É preciso avançar na busca da produção de alimentos, que garantam a base alimentar dos assentados, mas com a qualidade do ponto de vista da saúde dos alimentos que serão consumidos pelos assentados e pelo consumidor final.Portanto o uso de insumos agrícolas deve levar em conta os aspectos que assegurem alimentos sadios e de boa qualidade.
Levantamentos superficiais, a partir de informações históricas e locais, apontam a existência de produtos que nos dão uma noção do tamanho da tarefa que nos espera.
Castanha do Brasil, borracha, óleo de copaíba, açaí, andiroba, cipós, entre outros produtos, além dos recursos hídricos e belezas paisagísticas.
Todos esses produtos nos remetem a inúmeras alternativas para a geração de trabalho e renda, tais como:
• Exploração madeireira de baixo impacto com agregação de valor aos produtos;
• Artesanato;
• Comercialização de sementes florestais, ou mesmo para reflorestamento das áreas degradadas e conseqüente entrada no mercado de seqüestro de carbono;
• Produção e comercialização de energia;
• Venda de óleos e resinas;
• Exploração econômica das paisagens naturais através do ecoturismo.
Tantas são as possibilidades, e maior deve ser a nossa criatividade para a implantação e implementação do PAF Curuquetê.
7. ESTRATÉGIA DE PROTEÇÃO SOCIOAMBIENTAL REGIONAL DO PAF GLEBA CURUQUETÊ
A área da Gleba Curuquetê, município de Lábrea/ Amazonas, foi em grande parte incluída no Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi criados em 2008 pelo Instituto Chico Mendes.
A parte sudoeste da Gleba Curuquetê ficou fora das duas Unidades de conservação, tendo seu limite o Rio Curuquetê.
Nos tempos dos seringais o acesso a Gleba Curuquetê era feito por via fluvial, pelo Rio Purus e adentrando a montante pelo Rio Ituxi até seus tributários: Ciriquiqui, Coti e Curuquetê.
A partir do ano de 2000, a Gleba Curuquetê começou a ser ocupada por madeireiros (ilegalmente) do distrito de Vista Alegre do Abunã, vindos da BR.364, pelas estradas vicinais não pavimentadas denominadas Ramais: Ramal do JIQUITIBÁ, Ramal do Ipê. No avanço da frente de expansão rumo norte, estado do Amazonas, como é de práxis, vem em seguida o desmate pela ocupação de Grileiros da região e de Rio Branco, Acre; conforme pode ser visto nas imagens de Satélites LANDSAT TM5 ou CBERS.
O Ramal do Jatobá tem inicio na Cidade de Vista Alegre do Abunã no sentido norte e atravessa a divisa do Estado do Amazonas até o rio Curuquetê, ocupados por fazendeiros. Ramal do Ipê é uma extensão da Linha 01, sentido norte, que inicia na BR.364, aproximadamente 05 quilômetros, leste, da cidade de Vista Alegre do Abunã.
A região mais atingida com exploração de madeira e desmatamento da Gleba Curuquetê foi à parte Leste e nordeste da referida gleba.
A criação do Parque Nacional do Mapinguari dá-se num momento em que a frente de madeireiros e grileiros já estão há mais de 50 quilômetros no interior desta unidade de Conservação.
Com a criação do referido parque, tem-se uma demanda para a gestão desta área de preservação que é a regularização fundiária e desintrusão dos ocupantes e exploradores ilegais de madeiras.
A área proposta, apresentada pelo MCC está localizada na parte oeste da Gleba Curuquetê (o que ficou de fora das duas Unidades de Conservação criadas em 2008), onde esta menos antropizada.
A área proposta faz limites ao norte com o Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi.
A Legislação que regulamenta atividades antrópicas no entrono de Unidades Conservação são: DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990, Resolução do CONAMA Nº 13/90, de 6 de dezembro de 1990; e na Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC.
- DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990:
Artigo 27 - Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de 10 km (dez quilômetros), qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada as normas editadas pelo CONAMA.
- RESOLUÇÃO CONAMA Nº 13/90, DE 6 DE DEZEMBRO DE 1990:
Art. 2º. Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.
Parágrafo único. O licenciamento a que se refere o caput deste artigo só será concedido mediante autorização do órgão responsável pela administração da Unidade de Conservação.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC:
Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
XVIII - zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade.
Além do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi, há mais 32 Áreas Protegidas entre Unidades de Conservação e Terras Indígenas formando um imenso Mosaico no sul do Amazonas, entre as bacia do Rio Juruá, Rio Purus e Rio Madeira, com a seguinte configuração:
• 08 Unidades de Conservação no Amazonas: Parque Nacional do Mapinguari; Reserva Extrativista do Ituxi; Floresta Nacional do Iquiri; Reserva Extrativista do Médio Purus; Floresta Nacional do Purus; Floresta Nacional Mapiá-Inauini; Reserva Extrativista Arapixi; Floresta Nacional Balata-Tufari;
• 03 Unidades de Conservação em Rondônia: Floresta Estadual de Rendimento Sustentável Rio Vermelho “B”; Estação Ecológica Mujica Nava; Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos.
• 23 Terras Indígenas: TI. Boca do Acre; TI. Camisua, TI. Enauini/Teuini; TI. Igarapé Capana; TI. Peneri/Tacaquini; TI. Seruini/ Mariene; TI. Tumiã; TI. Alto Sepatini; TI. Acima; TI. São Pedro do Sepatini; TI. Guajahã; TI. Catipari/ Mamoria; TI. Água Preta/ Inari; TI. Camadeni; TI. Apurinã do Igarapé Mucuim; TI. Paumari do Lago Marahã; TI. Caititu; TI. Paumari do Rio Ituxi; TI. Jarawara/ Jamamadi/ Kanamati; TI. Banawa; TI. Hi-Merimã; TI. Zuruahã; TI. Deni; TI. Juma; TI. Kanamari do rio Juruá.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC. Mosaico:
Art. 26. Quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional.
- DECRETO Nº 4.340, DE 22 DE AGOSTO DE 2002, Regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000:
CAPÍTULO III
DO MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Art. 8o O mosaico de unidades de conservação será reconhecido em ato do Ministério do Meio Ambiente, a pedido dos órgãos gestores das unidades de conservação.
Art. 9o O mosaico deverá dispor de um conselho de mosaico, com caráter consultivo e a função de atuar como instância de gestão integrada das unidades de conservação que o compõem.
§ 1o A composição do conselho de mosaico é estabelecida na portaria que institui o mosaico e deverá obedecer aos mesmos critérios estabelecidos no Capítulo V deste Decreto.
§ 2o O conselho de mosaico terá como presidente um dos chefes das unidades de conservação que o compõem, o qual será escolhido pela maioria simples de seus membros.
Conjuntamente com o Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário propõe-se um Programa de Proteção da Flora e da Fauna na área Projeto de Assentamento Floresta Curuquetê.
Um cenário seria uma Gestão Integrada de Proteção Sócio-Ambiental do Mosaico do sul do Estado do Amazonas, onde a gestão do Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário terá convênios e ou Termos de Parceria com as gestões do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi; de forma a otimizar os esforços de proteção ambiental e de fazer um acordo de ordenamento, via zoneamento, das áreas de uso para o manejo floresta múltiplo e de áreas de preservação no entorno das referidas Unidades de Conservação.
Visto a possibilidade de Instituto Chico Mendes criar posto de vigilância no final do Ramal Ipê, poderá ter como parceiro a comunidade do Assentamento Florestal Curuquetê. Bem como, criar brigadas contra incêndios e de proteção ambiental, com agentes ambientais voluntários advindos do próprio PAF.
Outro recurso natural a ser manejado com diretrizes e normas são os cursos d’água que nascem e formão o Rio Curuquetê, que a Jusante percorre o interior da Reserva Extrativista do Ituxi. Nesse caso é necessário um Programa de Uso dos e Proteção dos Recursos Hídricos de forma a manter as águas com qualidade e a abundante fauna aquática atual.
A população dos assentados no Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê em suas atividades de consumo e produção agro-extrativista gera resíduos sólidos e líquidos. Este Plano indica um Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, em duas situações:
1) Na geração de resíduos da área urbanizada;
2) Na geração de resíduos das atividades produtivas agro-extrativista.
Propõe-se usar metodologias e técnicas inovadoras neste Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, que pretende viabilizar através de inclusão de parte deste programa nos Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário; ou em projetos específicos como no caso de geração de resíduos da área urbanizada.
8. GESTÃO DO PAF CURUQUETÊ
O êxito da consecução do PAF Gleba Curuquetê está diretamente vinculado à condução de sua gestão administrativo-financeira, inspiradas pelos princípios do associativismo e do cooperativismo. Tal empreendimento social deverá ser conduzido de maneira que possibilite uma inserção competitiva nos mercados onde lançarem seus produtos e serviços, dentro dos fundamentos empresariais que permitam uma inserção mercadológica e que permita a realização de resultados positivos e uma rendabilidade que o viabilize dentro das perspectivas econômica, financeira, contábil e trabalhista dentro de um rigor profissional que se assemelhe ao das empresas privadas que atuam em mercados semelhantes.
Em contrapartida, a distribuição dos benefícios, o controle e a participação dos associados deverão obedecer aos princípios da economia solidária, entendida como sendo é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano - e não do capital - de base associativista e cooperativista, voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida. Assim, nesta economia, o trabalho se transforma num meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho capitalista.
Tal proposição se dá em virtude de um número significativo de empreendimentos sociais que malograram devido à dicotomia existente entre a economia de mercado e a economia solidária, onde muitas dúvidas na execução de empreendimentos solidários ocorrem por não conhecerem os princípios basilares do associativismo/cooperativismo, acarretando numa série de distorções que vão do trato gerencial/burocrático, como situações de apropriação indébita dos recursos gerados coletivamente por determinados dirigentes.
Outra situação recorrente, diz respeito ao pouco comprometimento e participação dos beneficiários na gestão desses projetos, os quais não se sentem pertencentes ao processo gestacional deixando que interesses inescrupulosos ganhem a atmosfera propiciam para se desenvolverem.
Outra forte preocupação desta proposta versa sobre a diversidade cultural existente entre o público beneficiário do projeto, pois o mesmo é composto por pessoas advindas da agricultura familiar nordestina e, principalmente sulista, e de extrativistas amazônicos. Este choque cultural, caso não seja bem trabalhado poderá refletir negativamente na gestão administrativo-financeira, pois cada grupo cultural tem sua forma de conduzir esses processos.
Nesta proposta busca-se a integração entre a agricultura familiar e o extrativismo, que para que se torne exitosa é necessário que se realize a sensibilização e a formação para dirimir possíveis atritos advindos do referido choque cultural e potencializar os aspectos positivos de todos os povos que constituirão a miscigenação para tornar o PAF Gleba Curuquetê um dos mais bem-sucedidos exemplos de gestão.
O sucesso do projeto traz em si, a possibilidade de replicação da experiência em demais localidades do Estado do Amazonas e da região amazônica. Neste contexto é de forte importância a difusão do conhecimento adquirido. Dessa forma, os gestores poderão ser replicadores desse modelo de gestão.
Outra importante característica a ser ressaltada nesta proposta é que o modelo de gestão que o PAF desencadeará está em direta consonância com os planos, programas e projetos desenvolvidos pelos governos federal, estadual e municipal, onde primará pela integração e potencialização das ações existentes e as que se desenvolverão a partir desta experiência, que primará pelos princípios da eficácia, eficiência e economicidade, bem como pelos princípios da sustentabilidade socioambiental.
9. FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DOS ASSENTADOS NO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTA CURUQUETÊ.
A construção de um processo de formação e capacitação às famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê deverá atender certos requisitos, em virtude do pioneirismo da proposta, bem como pelos antecedentes históricos de outras categorias de assentamentos da reforma agrária que malograram em suas experiências, muitas vezes pelo processo de formação e capacitação que não considerava algumas premissas básicas, concernentes à sua formação política, ao processo produtivo, à assistência técnica e à extensão rural, além de outras formas alternativas de produção às convencionalmente estabelecidas.
Para que seja um empreendimento exitoso, é proposto que o modelo de formação e capacitação para a execução do PAF Gleba Curuquetê ocorra de forma antecipada, isto é, se inicie antes da consecução dos trabalhos, tendo em vista que muitos dos problemas ocorridos com experiências anteriores ocorreram, pelo simples fato de que as famílias assentadas não dispunham da menor noção do enfrentariam.
E se estenda durante todo o tempo em que o projeto perdure, isto é, seja um processo de formação e capacitação contínuo.
Portanto, se faz necessário preparar as famílias para desenvolverem uma proposta inovadora de assentamento, para as mudanças nas dinâmicas socioeconômicas e ambientais que se desencadearão a partir da implantação e execução do PAF Gleba Curuquetê, para sua inserção nos mercados local, regional, nacional e internacional em condições favoráveis de competição, mantendo suas características culturais e o meio de vida que estão inseridos, bem como dos benefícios que poderão obter por estarem na zona de amortecimento do mosaico de áreas protegidas que formam o corredor ecológico já mencionado, principalmente pela posição limítrofe do PAF Gleba Curuquetê com o Parque Nacional Mapinguari e da Reserva Extrativista Ituxi.
Capacitar as lideranças comunitárias das comunidades para o fortalecimento das organizações sociais e para a gestão de empreendimentos solidários, visando o fortalecimento institucional, o treinamento de um corpo funcional preparado para gestão dos empreendimentos que advirão da implantação do PAF, para a multiplicação e difusão das informações junto às comunidades para a consolidação de uma cultura participativa, com responsabilidade coletiva, dentro dos princípios da sustentabilidade e da solidariedade.
Bem como, capacitar as famílias atendidas, para as atividades que serão desencadeadas pelo PAF, através de sua da preparação para a realização do processo produtivo, dentro dos procedimentos técnicos e métodos de produção adequados à região e para a operacionalização dos equipamentos que serão utilizados no processo, visando inserção da produção familiar no mercado local, regional, nacional e internacional, através de técnicas adequadas que garantam a qualidade do produto ofertado.
Quanto aos procedimentos didático-pedagógicos, serão adotados, de acordo com a necessidade, e serão utilizadas as várias vertentes que possibilitem mais adequadamente, de forma dialógica, aproximar o ser humano e o meio ambiente, através do manejo da biodiversidade, dentro da perspectiva de sua sobrevivência e as relações externas, tanto de mercado como de atuação nos movimentos sociais e da proteção ambiental, onde se busque a elevação do senso crítico e auto-crítico que possibilite às famílias a total integração com essa nova proposta e com os princípios da sustentabilidade.
Para tanto, o processo de capacitação terá como elementos estruturadores:
a) A Formação política para a organização social e fortalecimento institucional das famílias e organizações que serão contempladas pelo PAF Gleba Curuquetê, para formação de lideranças locais existentes e surgimento de novas lideranças, e que instrumentalize-os a participarem dos fóruns de debates e conselhos onde poderão exercer o controle a participação social.
b) A gestão de empreendimentos solidários existentes decorrentes da implantação do PAF Gleba Curuquetê, de modo a estruturar grupos gestores para o desenvolvimento das atividades previstas no Plano de Implantação do PAF;
c) A adoção de boas práticas produtivas que permitam a substituição às práticas nocivas à saúde e à segurança alimentar, tal qual a utilização, em larga escala, de pesticidas;
d) O treinamento dos produtores que trabalham com os produtos que serão beneficiados pelas unidades de processamento, bem como do manejo florestal comunitário, visando garantir o fornecimento de produtos às referidas unidades dentro de um padrão de qualidade que permita atingir a certificação técnica e sanitária necessárias para consumo, para atender os diversos mercados onde estará inserido, de acordo com a quantidade demandada;
e) O treinamento dos trabalhadores que irão operar as unidades produtivas, visando a utilização adequada das máquinas e equipamentos necessários para o beneficiamento dos produtos que serão levados ao consumidor final, com os critérios de segurança do trabalho exigidos pela legislação brasileira.
10. EFEITOS MULTIPLICADORES ESPERADOS
Tendo em vista o grande passivo ambiental gerado por anos de exploração que não respeitou a vocação amazônica para um modelo alternativo de desenvolvimento, e que teve a primazia por atividades que impactaram sobremaneira os ecossistemas e a biodiversidade amazônica, principalmente nos estados que compõem o conhecido Arco do Desflorestamento, mais notadamente nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, as quais foram responsáveis por uma parcela significativa dos conflitos agrários ocorrentes na região, pela grilagem de terras públicas, pela extração de madeira ilegal, pela violência no campo, pela morte de povos indígenas, populações tradicionais e de trabalhadores do campo.
A replicação do referido modelo vem, com considerável velocidade, se reproduzindo no Estado do Amazonas, precisamente ao sul do Município de Lábrea, onde, de acordo com os documentos e mapas enviados à Ouvidoria Agrária Nacional – OAN e à Superintendência Regional do INCRA/AM pelo Movimento Camponês Corumbiara – MCC - e que se encontram anexados à proposta.
Tal situação deve sofrer uma imediata intervenção para que não avance de forma virulenta as frentes de expansão madeireira, agropecuária e mineral, características do processo de ocupação regional da Amazônia Ocidental, principalmente do Estado de Rondônia. E que possa servir como mecanismo de fomento para tais atividades, muitas vezes ilegais. Já que o foco da ação antrópica ocorre no Distrito de Vista Alegre do Abunã, Município de Porto Velho–RO, local em que vem ocorrendo a venda da madeira retirada ilegalmente da área destinada ao PAF Gleba Curuquetê, conforme os documentos, em anexo.
Diante de tal situação e, ainda com uma potencialidade ainda não avaliada dentro dos parâmetros técnicos, mas quando observadas de maneira superficial, apresenta forte potencial biodiverso que poder ser prospectado para o aproveitamento econômico das famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê.
O que se podem vislumbrar como cenários futuros, no que diz respeito aos efeitos multiplicadores advindos da implantação do referido PAF e de acordo com o estudo de potencialidades é:
1) Curto Prazo:
• Hortifrutigranjeiros: Cultivo de hortaliças, frutas e criação de galinhas e suínos . No primeiro momento tais atividades se apresentarão como forma de subsistência, para suprir as necessidades alimentares do acampamento. No segundo momento, havendo o excedente da produção, o mesmo será comercializado nos mercados próximos, principalmente no Estado do Amazonas, onde tal produção ainda é inexpressiva e onde tais produtos possuem preços muito elevados nos mercados, sendo que uma produção expressiva de tais produtos poderá ser negociada a preços menores, beneficiando os consumidores.
• Extrativismo: Coleta e venda da castanha, borracha, óleo de copaíba, entre outros produtos florestais não-madeireiros que precisam, no entanto, tornar-se sustentável, mas que de imediato poderão servir como incremento de renda às famílias.
Cabe ressaltar que, apesar das dificuldades iniciais e da fase adaptativa, o processo produtivo agroextrativista do PAF Curuquetê primará pela adoção de boas práticas produtivas para que se possa buscar a certificação agroecológica de seus produtos, dentro do tempo hábil necessário para tal, o que certamente agregará maior valor aos produtos e contribuirá para uma forma de produção sócio-participativa.
2) Médio e Longo Prazos
• Piscicultura: Se configura em outra fonte protéica para as famílias assentadas, bem como em outra potencialidade econômica, tendo em vista que o pescado, culturalmente, faz parte dos hábitos alimentares da região. Além disso, é uma atividade de baixo impacto ambiental e de alta produtividade, se comparada com atividade pecuária bovina, e que não há necessidade de abertura de grandes áreas, não pressionando à cobertura florestal primária e poderá ser efetivada em áreas abertas ou de capoeira.
• Artesanato: É outra atividade que poderá ser desenvolvida aproveitando os produtos agroextrativistas existentes, o que além de gerar um incremento de renda, é uma atividade que pode servir para aglutinar a juventude e as mulheres, principalmente na produção de biojóias, da marchetaria entre outras formas de artesanato.
• Produtos florestais:
- Madeireiros: Se configura, a priori, até mesmo por ser a característica do modelo de assentamento, que preconiza a exploração florestal madeireira, esta, por imposição legal deverá ser realizada dentro das técnicas de baixo impacto e com participação comunitária. Outro fator de extrema importância dentro deste processo é o beneficiamento dos produtos madeireiros (além da serragem e das sobras de madeiras), que buscará a verticalização da cadeia produtiva, de onde sairá o produto acabado, pronto para ser comercializado, seja na forma de móveis, portas, janelas ou da madeira certificada, o que agregará valor ao produto local, através da geração de empregos e incremento da renda, bem como, da garantia da perenidade dos recursos florestais e hídricos, tendo em vista que a região é local de várias nascente, sendo a principal as cabeceiras do rio Curuquetê.
- Movelaria: Esta atividade apesar de fazer parte do portfólio de atividades madeireiras, se configura em uma potencialidade para o PAF Gleba Curuquetê, tendo em vista o caráter experimental no que se refere a implantação de um pólo moveleiro, onde será necessário investimento na área de treinamento para formação de designers de móveis, o que agregará maior valor ao produto, por estar localizado na Amazônia e ser fruto da criação de designers locais, o que demonstra um forte avanço da atividade madeireira, que até bem pouco tempo só exportava o produto in natura.
- Não-Madeireiros: São produtos florestais não-lenhosos de origem vegetal e animal, bem como serviços socioambientais, bem como reservas extrativistas, seqüestro de carbono, comunicação genética e outros benefícios oriundos da manutenção da floresta. Se constituem na principal fonte de renda e alimentos de milhares de famílias que vivem da extração florestal. Produtos como óleos fixos e essenciais, frutos, amêndoas, fibras, corantes, plantas fitoterapêuticas, entre outros. Se apresentam como oportunidade real para o incremento da renda das famílias agroextrativistas, seja seu uso em manejo ou cultivos domesticados. O que será de grande relevância para o PAF, por sua característica de zona de amortecimento do Parque Nacional Mapinguari e da Resex Ituxi, no que diz respeito à manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade local.
• Ecoturismo: Outra atividade com potencialidade a ser desenvolvida diz respeito ao ecoturismo, principalmente após o levantamento da área do PAF Gleba Curuquetê e da elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional Mapinguari, que apontará as áreas destinadas para tal atividade.
• Produção de energia: Por estar localizada nas cabeceiras do rio Curuquetê, a incidência de potencial hidrelétrico é uma potencial atividade a ser estudada, para verificar a possibilidade de exploração de tal atividade.
Dessa forma, as perspectivas para implantação do PAF Gleba Curuquetê e de uso dos recursos existentes na área são positivas tanto do ponto de vista da solução de problemas de conflitos agrários, pois com a criação e delimitação do perímetro do PAF Gleba Curuquetê, a situação dominial do principal foco de conflitos no Estado Amazonas seria solucionado, o que, por sua vez e com a devida atuação do Poder Público (federal, estadual e municipal) na referida área afastaria as possíveis pressões por invasão de terras na região, afastando assim o foco do problema.
Outro fator significativo será o zoneamento das áreas destinadas à produção, à exploração madeireira e preservação o que é de extrema importância para a conservação e manutenção dos corredores ecológicos, bem como para a recuperação da área a ser explorada.
O ganho de produtividade das áreas a serem utilizadas para a criação e para os cultivares, a priori, serão maiores devido à adoção de boas práticas produtivas, que possibilitará suprir a necessidade por alimentos das famílias assentadas, o que permitirá acabar com a dependência das cestas básicas de programas assistenciais, bem como de interesses escusos de determinadas pessoas que se aproveitam da situação de fome para cooptar e desmobilizar lideranças dos movimentos sociais.
Permitirá venda do excedente da produção com maior valor agregado, além de fornecer alimentos aos mercados locais e regionais com preços mais acessíveis aos consumidores.
No que diz respeito ao roubo de madeira, com a adoção do Plano de Manejo Florestal Sustentável e Comunitário do PAF Gleba Curuquetê, permitirá aos assentados trabalharem dentro do preconiza a legislação brasileira, além de coibir as atividades ilegais, pois a madeira terá sua procedência registrada e, ainda se buscará a certificação florestal visando agregar valor tanto à madeira como aos sub-produtos da exploração dos produtos florestais. Permitindo maior controle por parte das autoridades e a perenidade dos recursos florestais e hídricos.
Quanto aos produtos não-madeireiros, o entorno natural proporcionará uma infinidade de benefícios, na forma de bens e serviços, denominados como serviços ecossistêmicos, como alimentos, madeira, água potável, energia, proteção contra as enchentes, contra a erosão do solo e principalmente do seqüestro do carbono por emissões evitadas. O que terá forte impacto nas discussões a respeito da Conferência das Partes – COP 15, da Convenção sobre a Biodiversidade, a qual certamente a proposta do PAF se configurará em uma das soluções para o problema do desmatamento e queimadas que serão apresentadas pelo Brasil, na cidade de Copenhagen, na Dinamarca, no mês de dezembro de 2009.
Onde, a perspectiva para uma experiência exitosa do PAF Gleba Curuquetê traz consigo uma nova dinâmica socioambiental e econômica, principalmente no que se refere à área das Ciências Econômicas, que se refere à Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, qual buscará novas formas de valoração dos recursos ambientais e onde essa experiência pioneira já se encontra integrada com seus princípios, apesar de ser um ramo muito novo, mas que terá possibilidades promissoras no trato da reversão do quadro de mudanças climáticas e do aquecimento global, os quais se configuram no principal problema vivenciado pelo planeta.
Portanto, esta é a proposta dos camponeses e extrativistas para inserir um modelo de desenvolvimento que realmente preconize o equilíbrio entre a economia, o meio ambiente e a justiça social, na qual a geração presente utilize os recursos ambientais e garanta a satisfação das necessidades das gerações futuras, de forma realmente sustentável.
11. ETAPAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PAF CURUQUETÊ
8.1 – Identificações dos Limites e Portaria de Criação do PAF Curuquetê – Responsabilidade: INCRA
8.2 – Demarcações do Projeto de Assentamento - PAF Curuquetê. Responsabilidade: INCRA
8.3 – Diagnóstico Socioambiental Participativo
Responsabilidade: CONSULTORES/ ASSCEDAM
8.4 – Zoneamentos do PAF
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.5 – Plano de Desenvolvimento do Assentamento Curuquetê Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.6 – Inventário Florestal Múltiplo Participativo
Responsabilidade: SFB
8.7 – Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário.
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
12. EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA
• EMERSON LUIZ NUNES AGUIAR – Economista, especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
• ROGÉRIO VARGAS MOTTA – Engenheiro Agrônomo, Especialista em Análise Ambiental.
• OSVALDO LUIZ PITTALUGA E SILVA – Engenheiro Florestal.
• FLÁVIO TIALLET – Engenheiro Florestal
13. ENTIDADES ENVOLVIDAS
MCC ASSOCIAÇÃPO asscedam
Brasília
2009
1. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico PAF Gleba Curuquetê.
O Movimento Camponês Corumbiara – MCC, há mais de uma década, vem defendendo a luta para que os trabalhadores rurais tenha o legítmo direito de trabalhar em suas próprias terras, sendo assim, os próprios agentes de seu futuro e de suas famílias, e dessa forma contribuir de forma efetiva para o crescimento do país e para a paz na floresta.
Há dois anos as famílias do movimento camponês Corumbiara, pioneiros em assentamento florestal, mobilizam-se para o momento da ocupação na reserva Curuquetê.
Já é prova disso o período em que passamos acampados, em vigília, nas proximidades da reserva, assegurando assim, a integridade da floresta de forma que não comprometa o futuro da mesma e por conseqüência da economia em bases sustentáveis. Nesse período tivemos o pronto atendimento da polícia o que impediu a repressão por parte de quem não compreende ou não quer respeitar a nova ordem.
A busca pelo desenvolvimento sustentável não é apenas uma bandeira de luta que defendemos, nós acreditamos e não queremos repetir os erros do passado quando da ocupação equivocada da Amazônia.
Já aprendemos com erros, precisamos, portanto, ousar com o novo modelo que leve em consideração as características ambientais, as populações de indivíduos de outras espécies que habitam a floresta. Temos que ser responsáveis com uso dos recursos hídricos existentes, tão importantes e valiosos para as gerações presentes e futuras. Enfim usar de forma racional todos os recursos naturais que temos no principal patrimônio nacional: A Floresta Amazônica.
1.2. Justificativa.
Tendo em vista o violento histórico que processo de reforma agrária na região amazônica, que culminou na grilagem de terras públicas, exploração irracional dos recursos ambientais, violência contra trabalhadores rurais (inclusive com a morte de Chico Mendes, Dorothy Stang, entre outros que tombaram por defender a região), povos indígenas e populações tradicionais, agravando os problemas socioambientais e deteriorando a qualidade de vida desses estratos da sociedade e provocando forte desequilíbrio nas dimensões que compõem o princípio da sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável da Amazônia depende mais de uma visão própria dos seus problemas socioambientais do que de modelos importados. Devendo respeitar a diversidade de seus ecossistemas, a diversidade socioeconômica e cultural de suas populações, considerando principalmente os interesses das populações locais. A estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia deve ter como ponto central a percepção do meio ambiente regional, a partir dos interesses diretos das populações locais. Nesse contexto, em condições de pobreza que imperam em grande parte na área rural da Amazônia, um conceito-chave para abordar os problemas ambientais dessa região é o entendimento das necessidades básicas da população.
Um dos pontos básicos colocados para uma estratégia de desenvolvimento sustentável é, sem dúvida, o crescimento econômico-social fundamental para a melhoria das condições de vida da população regional. Nessa direção, além de respeitar e centrar os objetivos nas populações regionais, o desenvolvimento sustentável da Amazônia requer ainda a consideração de vários outros aspectos e princípios.
O presente projeto tem como meta se tornar modelo mundial de reforma agrária, divisão de renda, a partir do manejo florestal de uso múltiplo e de baixo impacto.
Para que esta tenha meta possa ser cumprida precisamos de todo esforço conjunto entre sociedade civil e poder público. O acúmulo de conhecimentos científicos e de organização social é fundamental para o êxito do projeto.
2. PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL - PAF
O PAF é uma modalidade de assentamento voltada para o manejo de recursos florestais em áreas com aptidão para a produção florestal familiar, comunitária e sustentável e é especialmente definido para a região Norte.
Além da extração de madeira, pretende-se explorar a produção de essências medicinais, plantas ornamentais, óleos vegetais, látex, resinas e gomas entre outros.
O PAF permite, também, o sequestro do carbono, a apartir da recuperação de áreas degradadas com reflorestamentos,exploração do ecoturismo e coleta de materiais genéticos para o desenvolvimento da biotecnologia.
3.
4.
5.
6. POTENCIALIDADES DO USO MÚLTIPLO DO PAF GLEBA CURUQUETÊ.
As possibilidades de exploração de uma floresta nativa, em qualquer parte do mundo, são inúmeras e em muitos casos desconhecidas. Essas possibilidades são ainda maiores e desconhecidas quando tratamos da maior floresta tropical do planeta.
Num primeiro momento quando falamos ou pensamos em exploração da floresta logo vem em mente o uso dos recursos madeireiros. Entretanto em se tratando de assentamento de trabalhadores rurais, somente esta possibilidade pode conduzir há um processo de empobrecimento da floresta e dependência de um único produto que acarretará com certeza além de desajustes sociais, uma economia frágil para o PAF.
A região do Purus-Madeira, área onde se encontra a região do Curuquetê apresenta uma grande riqueza de recursos naturais e de infinitas alternativas para o exercício do modelo em bases sustentáveis.
Quando nos referimos às bases sustentáveis, não falamos apenas em uso racional dos recursos naturais, falamos também com respeito às culturas locais, distribuição de forma justa da renda aferida a partir da agregação de valor aos produtos oriundos da floresta.
É preciso avançar na busca da produção de alimentos, que garantam a base alimentar dos assentados, mas com a qualidade do ponto de vista da saúde dos alimentos que serão consumidos pelos assentados e pelo consumidor final.Portanto o uso de insumos agrícolas deve levar em conta os aspectos que assegurem alimentos sadios e de boa qualidade.
Levantamentos superficiais, a partir de informações históricas e locais, apontam a existência de produtos que nos dão uma noção do tamanho da tarefa que nos espera.
Castanha do Brasil, borracha, óleo de copaíba, açaí, andiroba, cipós, entre outros produtos, além dos recursos hídricos e belezas paisagísticas.
Todos esses produtos nos remetem a inúmeras alternativas para a geração de trabalho e renda, tais como:
• Exploração madeireira de baixo impacto com agregação de valor aos produtos;
• Artesanato;
• Comercialização de sementes florestais, ou mesmo para reflorestamento das áreas degradadas e conseqüente entrada no mercado de seqüestro de carbono;
• Produção e comercialização de energia;
• Venda de óleos e resinas;
• Exploração econômica das paisagens naturais através do ecoturismo.
Tantas são as possibilidades, e maior deve ser a nossa criatividade para a implantação e implementação do PAF Curuquetê.
7. ESTRATÉGIA DE PROTEÇÃO SOCIOAMBIENTAL REGIONAL DO PAF GLEBA CURUQUETÊ
A área da Gleba Curuquetê, município de Lábrea/ Amazonas, foi em grande parte incluída no Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi criados em 2008 pelo Instituto Chico Mendes.
A parte sudoeste da Gleba Curuquetê ficou fora das duas Unidades de conservação, tendo seu limite o Rio Curuquetê.
Nos tempos dos seringais o acesso a Gleba Curuquetê era feito por via fluvial, pelo Rio Purus e adentrando a montante pelo Rio Ituxi até seus tributários: Ciriquiqui, Coti e Curuquetê.
A partir do ano de 2000, a Gleba Curuquetê começou a ser ocupada por madeireiros (ilegalmente) do distrito de Vista Alegre do Abunã, vindos da BR.364, pelas estradas vicinais não pavimentadas denominadas Ramais: Ramal do JIQUITIBÁ, Ramal do Ipê. No avanço da frente de expansão rumo norte, estado do Amazonas, como é de práxis, vem em seguida o desmate pela ocupação de Grileiros da região e de Rio Branco, Acre; conforme pode ser visto nas imagens de Satélites LANDSAT TM5 ou CBERS.
O Ramal do Jatobá tem inicio na Cidade de Vista Alegre do Abunã no sentido norte e atravessa a divisa do Estado do Amazonas até o rio Curuquetê, ocupados por fazendeiros. Ramal do Ipê é uma extensão da Linha 01, sentido norte, que inicia na BR.364, aproximadamente 05 quilômetros, leste, da cidade de Vista Alegre do Abunã.
A região mais atingida com exploração de madeira e desmatamento da Gleba Curuquetê foi à parte Leste e nordeste da referida gleba.
A criação do Parque Nacional do Mapinguari dá-se num momento em que a frente de madeireiros e grileiros já estão há mais de 50 quilômetros no interior desta unidade de Conservação.
Com a criação do referido parque, tem-se uma demanda para a gestão desta área de preservação que é a regularização fundiária e desintrusão dos ocupantes e exploradores ilegais de madeiras.
A área proposta, apresentada pelo MCC está localizada na parte oeste da Gleba Curuquetê (o que ficou de fora das duas Unidades de Conservação criadas em 2008), onde esta menos antropizada.
A área proposta faz limites ao norte com o Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi.
A Legislação que regulamenta atividades antrópicas no entrono de Unidades Conservação são: DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990, Resolução do CONAMA Nº 13/90, de 6 de dezembro de 1990; e na Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC.
- DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990:
Artigo 27 - Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de 10 km (dez quilômetros), qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada as normas editadas pelo CONAMA.
- RESOLUÇÃO CONAMA Nº 13/90, DE 6 DE DEZEMBRO DE 1990:
Art. 2º. Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.
Parágrafo único. O licenciamento a que se refere o caput deste artigo só será concedido mediante autorização do órgão responsável pela administração da Unidade de Conservação.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC:
Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
XVIII - zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade.
Além do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi, há mais 32 Áreas Protegidas entre Unidades de Conservação e Terras Indígenas formando um imenso Mosaico no sul do Amazonas, entre as bacia do Rio Juruá, Rio Purus e Rio Madeira, com a seguinte configuração:
• 08 Unidades de Conservação no Amazonas: Parque Nacional do Mapinguari; Reserva Extrativista do Ituxi; Floresta Nacional do Iquiri; Reserva Extrativista do Médio Purus; Floresta Nacional do Purus; Floresta Nacional Mapiá-Inauini; Reserva Extrativista Arapixi; Floresta Nacional Balata-Tufari;
• 03 Unidades de Conservação em Rondônia: Floresta Estadual de Rendimento Sustentável Rio Vermelho “B”; Estação Ecológica Mujica Nava; Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos.
• 23 Terras Indígenas: TI. Boca do Acre; TI. Camisua, TI. Enauini/Teuini; TI. Igarapé Capana; TI. Peneri/Tacaquini; TI. Seruini/ Mariene; TI. Tumiã; TI. Alto Sepatini; TI. Acima; TI. São Pedro do Sepatini; TI. Guajahã; TI. Catipari/ Mamoria; TI. Água Preta/ Inari; TI. Camadeni; TI. Apurinã do Igarapé Mucuim; TI. Paumari do Lago Marahã; TI. Caititu; TI. Paumari do Rio Ituxi; TI. Jarawara/ Jamamadi/ Kanamati; TI. Banawa; TI. Hi-Merimã; TI. Zuruahã; TI. Deni; TI. Juma; TI. Kanamari do rio Juruá.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC. Mosaico:
Art. 26. Quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional.
- DECRETO Nº 4.340, DE 22 DE AGOSTO DE 2002, Regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000:
CAPÍTULO III
DO MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Art. 8o O mosaico de unidades de conservação será reconhecido em ato do Ministério do Meio Ambiente, a pedido dos órgãos gestores das unidades de conservação.
Art. 9o O mosaico deverá dispor de um conselho de mosaico, com caráter consultivo e a função de atuar como instância de gestão integrada das unidades de conservação que o compõem.
§ 1o A composição do conselho de mosaico é estabelecida na portaria que institui o mosaico e deverá obedecer aos mesmos critérios estabelecidos no Capítulo V deste Decreto.
§ 2o O conselho de mosaico terá como presidente um dos chefes das unidades de conservação que o compõem, o qual será escolhido pela maioria simples de seus membros.
Conjuntamente com o Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário propõe-se um Programa de Proteção da Flora e da Fauna na área Projeto de Assentamento Floresta Curuquetê.
Um cenário seria uma Gestão Integrada de Proteção Sócio-Ambiental do Mosaico do sul do Estado do Amazonas, onde a gestão do Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário terá convênios e ou Termos de Parceria com as gestões do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi; de forma a otimizar os esforços de proteção ambiental e de fazer um acordo de ordenamento, via zoneamento, das áreas de uso para o manejo floresta múltiplo e de áreas de preservação no entorno das referidas Unidades de Conservação.
Visto a possibilidade de Instituto Chico Mendes criar posto de vigilância no final do Ramal Ipê, poderá ter como parceiro a comunidade do Assentamento Florestal Curuquetê. Bem como, criar brigadas contra incêndios e de proteção ambiental, com agentes ambientais voluntários advindos do próprio PAF.
Outro recurso natural a ser manejado com diretrizes e normas são os cursos d’água que nascem e formão o Rio Curuquetê, que a Jusante percorre o interior da Reserva Extrativista do Ituxi. Nesse caso é necessário um Programa de Uso dos e Proteção dos Recursos Hídricos de forma a manter as águas com qualidade e a abundante fauna aquática atual.
A população dos assentados no Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê em suas atividades de consumo e produção agro-extrativista gera resíduos sólidos e líquidos. Este Plano indica um Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, em duas situações:
1) Na geração de resíduos da área urbanizada;
2) Na geração de resíduos das atividades produtivas agro-extrativista.
Propõe-se usar metodologias e técnicas inovadoras neste Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, que pretende viabilizar através de inclusão de parte deste programa nos Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário; ou em projetos específicos como no caso de geração de resíduos da área urbanizada.
8. GESTÃO DO PAF CURUQUETÊ
O êxito da consecução do PAF Gleba Curuquetê está diretamente vinculado à condução de sua gestão administrativo-financeira, inspiradas pelos princípios do associativismo e do cooperativismo. Tal empreendimento social deverá ser conduzido de maneira que possibilite uma inserção competitiva nos mercados onde lançarem seus produtos e serviços, dentro dos fundamentos empresariais que permitam uma inserção mercadológica e que permita a realização de resultados positivos e uma rendabilidade que o viabilize dentro das perspectivas econômica, financeira, contábil e trabalhista dentro de um rigor profissional que se assemelhe ao das empresas privadas que atuam em mercados semelhantes.
Em contrapartida, a distribuição dos benefícios, o controle e a participação dos associados deverão obedecer aos princípios da economia solidária, entendida como sendo é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano - e não do capital - de base associativista e cooperativista, voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida. Assim, nesta economia, o trabalho se transforma num meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho capitalista.
Tal proposição se dá em virtude de um número significativo de empreendimentos sociais que malograram devido à dicotomia existente entre a economia de mercado e a economia solidária, onde muitas dúvidas na execução de empreendimentos solidários ocorrem por não conhecerem os princípios basilares do associativismo/cooperativismo, acarretando numa série de distorções que vão do trato gerencial/burocrático, como situações de apropriação indébita dos recursos gerados coletivamente por determinados dirigentes.
Outra situação recorrente, diz respeito ao pouco comprometimento e participação dos beneficiários na gestão desses projetos, os quais não se sentem pertencentes ao processo gestacional deixando que interesses inescrupulosos ganhem a atmosfera propiciam para se desenvolverem.
Outra forte preocupação desta proposta versa sobre a diversidade cultural existente entre o público beneficiário do projeto, pois o mesmo é composto por pessoas advindas da agricultura familiar nordestina e, principalmente sulista, e de extrativistas amazônicos. Este choque cultural, caso não seja bem trabalhado poderá refletir negativamente na gestão administrativo-financeira, pois cada grupo cultural tem sua forma de conduzir esses processos.
Nesta proposta busca-se a integração entre a agricultura familiar e o extrativismo, que para que se torne exitosa é necessário que se realize a sensibilização e a formação para dirimir possíveis atritos advindos do referido choque cultural e potencializar os aspectos positivos de todos os povos que constituirão a miscigenação para tornar o PAF Gleba Curuquetê um dos mais bem-sucedidos exemplos de gestão.
O sucesso do projeto traz em si, a possibilidade de replicação da experiência em demais localidades do Estado do Amazonas e da região amazônica. Neste contexto é de forte importância a difusão do conhecimento adquirido. Dessa forma, os gestores poderão ser replicadores desse modelo de gestão.
Outra importante característica a ser ressaltada nesta proposta é que o modelo de gestão que o PAF desencadeará está em direta consonância com os planos, programas e projetos desenvolvidos pelos governos federal, estadual e municipal, onde primará pela integração e potencialização das ações existentes e as que se desenvolverão a partir desta experiência, que primará pelos princípios da eficácia, eficiência e economicidade, bem como pelos princípios da sustentabilidade socioambiental.
9. FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DOS ASSENTADOS NO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTA CURUQUETÊ.
A construção de um processo de formação e capacitação às famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê deverá atender certos requisitos, em virtude do pioneirismo da proposta, bem como pelos antecedentes históricos de outras categorias de assentamentos da reforma agrária que malograram em suas experiências, muitas vezes pelo processo de formação e capacitação que não considerava algumas premissas básicas, concernentes à sua formação política, ao processo produtivo, à assistência técnica e à extensão rural, além de outras formas alternativas de produção às convencionalmente estabelecidas.
Para que seja um empreendimento exitoso, é proposto que o modelo de formação e capacitação para a execução do PAF Gleba Curuquetê ocorra de forma antecipada, isto é, se inicie antes da consecução dos trabalhos, tendo em vista que muitos dos problemas ocorridos com experiências anteriores ocorreram, pelo simples fato de que as famílias assentadas não dispunham da menor noção do enfrentariam.
E se estenda durante todo o tempo em que o projeto perdure, isto é, seja um processo de formação e capacitação contínuo.
Portanto, se faz necessário preparar as famílias para desenvolverem uma proposta inovadora de assentamento, para as mudanças nas dinâmicas socioeconômicas e ambientais que se desencadearão a partir da implantação e execução do PAF Gleba Curuquetê, para sua inserção nos mercados local, regional, nacional e internacional em condições favoráveis de competição, mantendo suas características culturais e o meio de vida que estão inseridos, bem como dos benefícios que poderão obter por estarem na zona de amortecimento do mosaico de áreas protegidas que formam o corredor ecológico já mencionado, principalmente pela posição limítrofe do PAF Gleba Curuquetê com o Parque Nacional Mapinguari e da Reserva Extrativista Ituxi.
Capacitar as lideranças comunitárias das comunidades para o fortalecimento das organizações sociais e para a gestão de empreendimentos solidários, visando o fortalecimento institucional, o treinamento de um corpo funcional preparado para gestão dos empreendimentos que advirão da implantação do PAF, para a multiplicação e difusão das informações junto às comunidades para a consolidação de uma cultura participativa, com responsabilidade coletiva, dentro dos princípios da sustentabilidade e da solidariedade.
Bem como, capacitar as famílias atendidas, para as atividades que serão desencadeadas pelo PAF, através de sua da preparação para a realização do processo produtivo, dentro dos procedimentos técnicos e métodos de produção adequados à região e para a operacionalização dos equipamentos que serão utilizados no processo, visando inserção da produção familiar no mercado local, regional, nacional e internacional, através de técnicas adequadas que garantam a qualidade do produto ofertado.
Quanto aos procedimentos didático-pedagógicos, serão adotados, de acordo com a necessidade, e serão utilizadas as várias vertentes que possibilitem mais adequadamente, de forma dialógica, aproximar o ser humano e o meio ambiente, através do manejo da biodiversidade, dentro da perspectiva de sua sobrevivência e as relações externas, tanto de mercado como de atuação nos movimentos sociais e da proteção ambiental, onde se busque a elevação do senso crítico e auto-crítico que possibilite às famílias a total integração com essa nova proposta e com os princípios da sustentabilidade.
Para tanto, o processo de capacitação terá como elementos estruturadores:
a) A Formação política para a organização social e fortalecimento institucional das famílias e organizações que serão contempladas pelo PAF Gleba Curuquetê, para formação de lideranças locais existentes e surgimento de novas lideranças, e que instrumentalize-os a participarem dos fóruns de debates e conselhos onde poderão exercer o controle a participação social.
b) A gestão de empreendimentos solidários existentes decorrentes da implantação do PAF Gleba Curuquetê, de modo a estruturar grupos gestores para o desenvolvimento das atividades previstas no Plano de Implantação do PAF;
c) A adoção de boas práticas produtivas que permitam a substituição às práticas nocivas à saúde e à segurança alimentar, tal qual a utilização, em larga escala, de pesticidas;
d) O treinamento dos produtores que trabalham com os produtos que serão beneficiados pelas unidades de processamento, bem como do manejo florestal comunitário, visando garantir o fornecimento de produtos às referidas unidades dentro de um padrão de qualidade que permita atingir a certificação técnica e sanitária necessárias para consumo, para atender os diversos mercados onde estará inserido, de acordo com a quantidade demandada;
e) O treinamento dos trabalhadores que irão operar as unidades produtivas, visando a utilização adequada das máquinas e equipamentos necessários para o beneficiamento dos produtos que serão levados ao consumidor final, com os critérios de segurança do trabalho exigidos pela legislação brasileira.
10. EFEITOS MULTIPLICADORES ESPERADOS
Tendo em vista o grande passivo ambiental gerado por anos de exploração que não respeitou a vocação amazônica para um modelo alternativo de desenvolvimento, e que teve a primazia por atividades que impactaram sobremaneira os ecossistemas e a biodiversidade amazônica, principalmente nos estados que compõem o conhecido Arco do Desflorestamento, mais notadamente nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, as quais foram responsáveis por uma parcela significativa dos conflitos agrários ocorrentes na região, pela grilagem de terras públicas, pela extração de madeira ilegal, pela violência no campo, pela morte de povos indígenas, populações tradicionais e de trabalhadores do campo.
A replicação do referido modelo vem, com considerável velocidade, se reproduzindo no Estado do Amazonas, precisamente ao sul do Município de Lábrea, onde, de acordo com os documentos e mapas enviados à Ouvidoria Agrária Nacional – OAN e à Superintendência Regional do INCRA/AM pelo Movimento Camponês Corumbiara – MCC - e que se encontram anexados à proposta.
Tal situação deve sofrer uma imediata intervenção para que não avance de forma virulenta as frentes de expansão madeireira, agropecuária e mineral, características do processo de ocupação regional da Amazônia Ocidental, principalmente do Estado de Rondônia. E que possa servir como mecanismo de fomento para tais atividades, muitas vezes ilegais. Já que o foco da ação antrópica ocorre no Distrito de Vista Alegre do Abunã, Município de Porto Velho–RO, local em que vem ocorrendo a venda da madeira retirada ilegalmente da área destinada ao PAF Gleba Curuquetê, conforme os documentos, em anexo.
Diante de tal situação e, ainda com uma potencialidade ainda não avaliada dentro dos parâmetros técnicos, mas quando observadas de maneira superficial, apresenta forte potencial biodiverso que poder ser prospectado para o aproveitamento econômico das famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê.
O que se podem vislumbrar como cenários futuros, no que diz respeito aos efeitos multiplicadores advindos da implantação do referido PAF e de acordo com o estudo de potencialidades é:
1) Curto Prazo:
• Hortifrutigranjeiros: Cultivo de hortaliças, frutas e criação de galinhas e suínos . No primeiro momento tais atividades se apresentarão como forma de subsistência, para suprir as necessidades alimentares do acampamento. No segundo momento, havendo o excedente da produção, o mesmo será comercializado nos mercados próximos, principalmente no Estado do Amazonas, onde tal produção ainda é inexpressiva e onde tais produtos possuem preços muito elevados nos mercados, sendo que uma produção expressiva de tais produtos poderá ser negociada a preços menores, beneficiando os consumidores.
• Extrativismo: Coleta e venda da castanha, borracha, óleo de copaíba, entre outros produtos florestais não-madeireiros que precisam, no entanto, tornar-se sustentável, mas que de imediato poderão servir como incremento de renda às famílias.
Cabe ressaltar que, apesar das dificuldades iniciais e da fase adaptativa, o processo produtivo agroextrativista do PAF Curuquetê primará pela adoção de boas práticas produtivas para que se possa buscar a certificação agroecológica de seus produtos, dentro do tempo hábil necessário para tal, o que certamente agregará maior valor aos produtos e contribuirá para uma forma de produção sócio-participativa.
2) Médio e Longo Prazos
• Piscicultura: Se configura em outra fonte protéica para as famílias assentadas, bem como em outra potencialidade econômica, tendo em vista que o pescado, culturalmente, faz parte dos hábitos alimentares da região. Além disso, é uma atividade de baixo impacto ambiental e de alta produtividade, se comparada com atividade pecuária bovina, e que não há necessidade de abertura de grandes áreas, não pressionando à cobertura florestal primária e poderá ser efetivada em áreas abertas ou de capoeira.
• Artesanato: É outra atividade que poderá ser desenvolvida aproveitando os produtos agroextrativistas existentes, o que além de gerar um incremento de renda, é uma atividade que pode servir para aglutinar a juventude e as mulheres, principalmente na produção de biojóias, da marchetaria entre outras formas de artesanato.
• Produtos florestais:
- Madeireiros: Se configura, a priori, até mesmo por ser a característica do modelo de assentamento, que preconiza a exploração florestal madeireira, esta, por imposição legal deverá ser realizada dentro das técnicas de baixo impacto e com participação comunitária. Outro fator de extrema importância dentro deste processo é o beneficiamento dos produtos madeireiros (além da serragem e das sobras de madeiras), que buscará a verticalização da cadeia produtiva, de onde sairá o produto acabado, pronto para ser comercializado, seja na forma de móveis, portas, janelas ou da madeira certificada, o que agregará valor ao produto local, através da geração de empregos e incremento da renda, bem como, da garantia da perenidade dos recursos florestais e hídricos, tendo em vista que a região é local de várias nascente, sendo a principal as cabeceiras do rio Curuquetê.
- Movelaria: Esta atividade apesar de fazer parte do portfólio de atividades madeireiras, se configura em uma potencialidade para o PAF Gleba Curuquetê, tendo em vista o caráter experimental no que se refere a implantação de um pólo moveleiro, onde será necessário investimento na área de treinamento para formação de designers de móveis, o que agregará maior valor ao produto, por estar localizado na Amazônia e ser fruto da criação de designers locais, o que demonstra um forte avanço da atividade madeireira, que até bem pouco tempo só exportava o produto in natura.
- Não-Madeireiros: São produtos florestais não-lenhosos de origem vegetal e animal, bem como serviços socioambientais, bem como reservas extrativistas, seqüestro de carbono, comunicação genética e outros benefícios oriundos da manutenção da floresta. Se constituem na principal fonte de renda e alimentos de milhares de famílias que vivem da extração florestal. Produtos como óleos fixos e essenciais, frutos, amêndoas, fibras, corantes, plantas fitoterapêuticas, entre outros. Se apresentam como oportunidade real para o incremento da renda das famílias agroextrativistas, seja seu uso em manejo ou cultivos domesticados. O que será de grande relevância para o PAF, por sua característica de zona de amortecimento do Parque Nacional Mapinguari e da Resex Ituxi, no que diz respeito à manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade local.
• Ecoturismo: Outra atividade com potencialidade a ser desenvolvida diz respeito ao ecoturismo, principalmente após o levantamento da área do PAF Gleba Curuquetê e da elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional Mapinguari, que apontará as áreas destinadas para tal atividade.
• Produção de energia: Por estar localizada nas cabeceiras do rio Curuquetê, a incidência de potencial hidrelétrico é uma potencial atividade a ser estudada, para verificar a possibilidade de exploração de tal atividade.
Dessa forma, as perspectivas para implantação do PAF Gleba Curuquetê e de uso dos recursos existentes na área são positivas tanto do ponto de vista da solução de problemas de conflitos agrários, pois com a criação e delimitação do perímetro do PAF Gleba Curuquetê, a situação dominial do principal foco de conflitos no Estado Amazonas seria solucionado, o que, por sua vez e com a devida atuação do Poder Público (federal, estadual e municipal) na referida área afastaria as possíveis pressões por invasão de terras na região, afastando assim o foco do problema.
Outro fator significativo será o zoneamento das áreas destinadas à produção, à exploração madeireira e preservação o que é de extrema importância para a conservação e manutenção dos corredores ecológicos, bem como para a recuperação da área a ser explorada.
O ganho de produtividade das áreas a serem utilizadas para a criação e para os cultivares, a priori, serão maiores devido à adoção de boas práticas produtivas, que possibilitará suprir a necessidade por alimentos das famílias assentadas, o que permitirá acabar com a dependência das cestas básicas de programas assistenciais, bem como de interesses escusos de determinadas pessoas que se aproveitam da situação de fome para cooptar e desmobilizar lideranças dos movimentos sociais.
Permitirá venda do excedente da produção com maior valor agregado, além de fornecer alimentos aos mercados locais e regionais com preços mais acessíveis aos consumidores.
No que diz respeito ao roubo de madeira, com a adoção do Plano de Manejo Florestal Sustentável e Comunitário do PAF Gleba Curuquetê, permitirá aos assentados trabalharem dentro do preconiza a legislação brasileira, além de coibir as atividades ilegais, pois a madeira terá sua procedência registrada e, ainda se buscará a certificação florestal visando agregar valor tanto à madeira como aos sub-produtos da exploração dos produtos florestais. Permitindo maior controle por parte das autoridades e a perenidade dos recursos florestais e hídricos.
Quanto aos produtos não-madeireiros, o entorno natural proporcionará uma infinidade de benefícios, na forma de bens e serviços, denominados como serviços ecossistêmicos, como alimentos, madeira, água potável, energia, proteção contra as enchentes, contra a erosão do solo e principalmente do seqüestro do carbono por emissões evitadas. O que terá forte impacto nas discussões a respeito da Conferência das Partes – COP 15, da Convenção sobre a Biodiversidade, a qual certamente a proposta do PAF se configurará em uma das soluções para o problema do desmatamento e queimadas que serão apresentadas pelo Brasil, na cidade de Copenhagen, na Dinamarca, no mês de dezembro de 2009.
Onde, a perspectiva para uma experiência exitosa do PAF Gleba Curuquetê traz consigo uma nova dinâmica socioambiental e econômica, principalmente no que se refere à área das Ciências Econômicas, que se refere à Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, qual buscará novas formas de valoração dos recursos ambientais e onde essa experiência pioneira já se encontra integrada com seus princípios, apesar de ser um ramo muito novo, mas que terá possibilidades promissoras no trato da reversão do quadro de mudanças climáticas e do aquecimento global, os quais se configuram no principal problema vivenciado pelo planeta.
Portanto, esta é a proposta dos camponeses e extrativistas para inserir um modelo de desenvolvimento que realmente preconize o equilíbrio entre a economia, o meio ambiente e a justiça social, na qual a geração presente utilize os recursos ambientais e garanta a satisfação das necessidades das gerações futuras, de forma realmente sustentável.
11. ETAPAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PAF CURUQUETÊ
8.1 – Identificações dos Limites e Portaria de Criação do PAF Curuquetê – Responsabilidade: INCRA
8.2 – Demarcações do Projeto de Assentamento - PAF Curuquetê. Responsabilidade: INCRA
8.3 – Diagnóstico Socioambiental Participativo
Responsabilidade: CONSULTORES/ ASSCEDAM
8.4 – Zoneamentos do PAF
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.5 – Plano de Desenvolvimento do Assentamento Curuquetê Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.6 – Inventário Florestal Múltiplo Participativo
Responsabilidade: SFB
8.7 – Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário.
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
12. EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA
• EMERSON LUIZ NUNES AGUIAR – Economista, especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
• ROGÉRIO VARGAS MOTTA – Engenheiro Agrônomo, Especialista em Análise Ambiental.
• OSVALDO LUIZ PITTALUGA E SILVA – Engenheiro Florestal.
• FLÁVIO TIALLET – Engenheiro Florestal
13. ENTIDADES ENVOLVIDAS
MCC ASSOCIAÇÃPO asscedam
Campo vive o drama das listas de marcados para morrer
Qui, 23 de Junho de 2011 01:58
Da Agencia Senado
Convidados da audiência que debateu a violência no campo, nesta quarta-feira (22), apontaram a existência de listas de pessoas marcadas para morrer.
Veja mais
Grilagem e impunidade apontados como causas da violência no campo
- Temos listas de marcados para morrer em todo lugar e fazer lista desse tipo parece não ser crime. Se nossa reação fosse igual, de fazer lista dos quem fazem as listas, já estaríamos condenados. Que Estado é esse que dá enorme proteção a uns e nenhuma a outros? – indagou William Clementino da Silva Matias, denunciando a influência das oligarquias locais.
Ele representou no debate a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Como exemplo de impunidade, o procurador da República José Elaeres Marques Teixeira lembrou o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, ocorrido há 15 anos. Até hoje só se registraram duas condenações, mas os processos ainda estão em fase de recurso. No incidente com forças policiais, 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados.
- Ainda não houve punição para esse grave crime – concluiu o procurador.
De líderes do campo a religiosos que apóiam a causa dos pequenos produtores e trabalhadores sem-terra, de membros de instituições do campo da Justiça a advogados, os participantes do evento promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) criticaram a impunidade. Willian Clementino da Silva Matias revelou que ele mesmo, por três vezes, já recebeu ameaça de morte. Apesar disso, a opção foi por nem registrar denúncia, dada as ligações da Polícia de sua cidade com os responsáveis pelas coações.
Reforma incompleta
Além da impunidade, os convidados associaram a violência no campo às deficiências dos programas de reforma agrária. Sem atividade econômica certa e necessitando sobreviver, o assentado muitas vezes vende o lote e migra para área onde volta a conviver com o antigo problema da disputa pela terra. Outra saída é permanecer no lote e recorrer à extração ilegal da madeira, acentuando o problema do desmatamento.
- Vem o madeireiro, o assentado cede à tentação e vende a madeira. Aquele que resiste a isso acaba sendo morto – disse o procurador Marques Teixeira.
Modelo econômico
Houve ainda críticas ao próprio modelo de desenvolvimento do país, considerado como fonte primária dos problemas agrários por estimular a ocupação anárquica de novas fronteiras, especialmente em estados da Amazônia. A cobiça por terras e por madeira explicaria o desmatamento da floresta e também a eclosão de conflitos.
- Se não tivermos um posicionamento do Estado brasileiro sobre o projeto de desenvolvimento que queremos, nós [os trabalhadores do campo] vamos continuar lutando, pois somos persistentes, mas as coisas não vão avançar da forma como deve – afirmou Willian Clementino.
Mundo sem lei
Estado onde os casos de violência no campo são mais freqüentes, o Pará, de acordo com o delegado Silvio Cezar Maués Batista, vem trabalhando intensamente nos últimos anos para superar esse panorama. Diretor do Departamento de Polícia do Interior da Secretaria de Segurança do Pará, ele destacou, por exemplo, a criação de delegacias e promotorias de conflitos agrários. Também salientou que há fatores complexos na base do problema, envolvendo causas e soluções que vão além dos poderes do próprio estado, por meio de seu governo, Polícia ou Justiça.
- Preocupa a estigmatização do estado como um mundo sem lei, uma fronteira sem controle – afirmou o delegado, sugerindo maior esforço de compreensão global do problema.
O diretor da Força Nacional de Segurança (FNS), comandante Augusto Aragon, destacou que as mortes no campo estão quase sempre associados ao que chamou de “cinturão de desmatamento”, áreas de ocupação recente e de expansão de atividades econômicas. Ele salientou que a Força só pode atuar nos estados a pedido dos governos. Com relação ao Pará, o diretor reconheceu que os organismos de segurança estão trabalhando muito, mas ainda carecem de estrutura e pessoal.
Nota dos movimentos sociais
Entidades condenam assassinatos e violência contra lideranças sociais e ambientalistas na Amazônia
Escrito por: Central Única dos Trabalhadores do Brasil (CUT), Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/ Via Campesina), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Central dos Movimentos Populares (CMP), Assembléia Popular (AP)
A Central única dos Trabalhadores do Brasil – CUT, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, a Via Campesina a Marcha Mundial das Mulheres – MMM a Assembléia Popular – AP e a Central dos Movimentos Populares - CMP, de forma unificada condenam os assassinatos e violência contra lideranças sociais e ambientalistas na Amazônia e cobram justiça às autoridades!
Os movimentos sociais estão em luto! Infelizmente a velha lógica de quem age contra os interesses das madeireiras, do agronegócio e das mineradoras coloca a própria vida em risco, se fortaleceu nos últimos dias. São 6 assassinatos em 15 dias, a lamentável sequência de assassinatos iniciou no último dia 24 de maio vitimando ao casal de lideres extrativistas José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo, posteriormente ao agricultor Erenilton Pereira da Silva, no dia 27 de maio o agricultor Adelino Ramos foi alvejado por um motoqueiro, dia 01 de junho o lavrador Marcos Gomes da Silva, foi executado com dois tiros, e no último dia 09 de junho o lavrador Obede Loyla Souza de 31 anos, foi executado com um tiro no ouvido, no município de Tucuruí, no Pará.
Esta tragédia revela o que os movimentos sociais denunciam há 30 anos no Brasil, o modelo de desenvolvimento atual privilegia as madeireiras, o agronegócio e as mineradoras, que nos últimos anos tem acelerado o processo de desmatamento, extração de minérios e ampliação de áreas de plantio de monoculturas como a cana-de-açúcar e a soja. Este modelo de desenvolvimento amplia a concentração de terras nas mãos de grupos econômicos estrangeiros, agrava os fortes impactos ambientais na Amazônia e geram a morte direta daqueles que ousam defender a vida e a natureza.
Portanto, além de barrar a extração ilegal de madeira que alimenta as mineradoras, suspender os benefícios econômicos ao agronegócio, ampliar as ações de fiscalização do desmatamento, agilizar a demarcação de terras indígenas, regularização de das terras remanescentes de quilombos, comunidades ribeirinhas e colocar na cadeia os mandantes e assassinos que agem em nome do poder econômico, o ESTADO brasileiro, (Governo Federal, Estaduais e Municipais) deve adotar outro modelo de desenvolvimento que tenha em seu eixo central a defesa da vida e da natureza.
Não teremos PAZ neste país enquanto persistir a violência no campo, a criminalização dos movimentos sociais e a violência contra as mulheres. Queremos um Brasil com distribuição de terras, com fortalecimento da agricultura familiar, garantia de acesso a serviços de saúde, educação, moradia, mobilidade, crédito, assistência técnica e apoio a comercialização, para os assentamentos rurais.
Convocamos a população brasileira, o movimento social e sindical a tomar a ruas exigindo justiça, o fim dos assassinatos de trabalhadores e a punição dos responsáveis pelos crimes praticados contra a vida e contra a Nação!
São Paulo, 15 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
FAMILIA DE ADELINO RAMOS CÓBRA PROTEÇÃO DA LEI!
http://contextolivre.blogspot.com/
Familiares cobram proteção para evitar novos crimes e relatam que dois homens armados foram detidos durante a cerimônia fúnebre de Adelino Ramos
– A Secretaria de Segurança Pública de Rondônia anunciou a prisão de Ozeas Vicente, suspeito de assassinar o camponês Adelino Ramos, o Dinho. Os detalhes sobre a detenção, ocorrida na manhã desta segunda-feira (30) em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho, serão fornecidos ainda nesta segunda em entrevista coletiva.
Ainda não se sabe se a Polícia Civil conseguiu avançar nas investigações sobre o envolvimento de outras pessoas no crime, em especial em relação a mandantes. Vicente foi visto pela esposa de Adelino Ramos, que presenciou o assassinato ocorrido na sexta-feira (27) ao lado das duas filhas, uma de seis anos e outra de dois.
Dinho integrava o Movimento Camponês Corumbiara e morava no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, no município de Lábrea, na divisa de Amazonas com Rondônia. Ele havia denunciado a atuação de madeireiros na região, e por isso parentes e amigos acreditam que o crime se trate de vingança.
Sob tensão
Além disso, Dinho era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, comandado por fazendeiros e policiais contra trabalhadores rurais sem-terra em 1995. Na ocasião, a investigação conduzida pela Polícia Militar indicou que ele e o filho, Claudemir, eram líderes do movimento, e por isso ambos acabaram processados. Dinho conseguiu se livrar do julgamento, mas Claudemir foi condenado a oito anos e seis meses de prisão. Ele é considerado foragido desde 2004, mas cobra um novo julgamento por conta da frágil apuração conduzida pelo Ministério Público Estadual, fato anotado até mesmo pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
O sepultamento ocorrido domingo (29) em Theobroma, no interior de Rondônia, transcorreu sob tensão. A Polícia Civil confirmou a versão apresentada por testemunhas à Rede Brasil Atual de que dois homens foram presos com espingardas e revólveres quando o cortejo se encaminhava ao cemitério. A dupla alega que a farta munição havia sido usada em uma caçada na mata, versão que está sendo investigada.
Os familiares de Dinho pedem proteção policial para evitar que sofram ameaças e que ocorram novas mortes. “Não tem segurança nenhuma. Não tem nada”, reclamou um parente em conversa telefônica. “Não dá para confiar porque vê o que fizeram com meu pai. O governo não forneceu proteção nenhuma para o meu pai e o que acabou acontecendo com ele.” Desde 2009 o camponês denunciava as ameaças que vinha sofrendo.
Familiares cobram proteção para evitar novos crimes e relatam que dois homens armados foram detidos durante a cerimônia fúnebre de Adelino Ramos
– A Secretaria de Segurança Pública de Rondônia anunciou a prisão de Ozeas Vicente, suspeito de assassinar o camponês Adelino Ramos, o Dinho. Os detalhes sobre a detenção, ocorrida na manhã desta segunda-feira (30) em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho, serão fornecidos ainda nesta segunda em entrevista coletiva.
Ainda não se sabe se a Polícia Civil conseguiu avançar nas investigações sobre o envolvimento de outras pessoas no crime, em especial em relação a mandantes. Vicente foi visto pela esposa de Adelino Ramos, que presenciou o assassinato ocorrido na sexta-feira (27) ao lado das duas filhas, uma de seis anos e outra de dois.
Dinho integrava o Movimento Camponês Corumbiara e morava no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, no município de Lábrea, na divisa de Amazonas com Rondônia. Ele havia denunciado a atuação de madeireiros na região, e por isso parentes e amigos acreditam que o crime se trate de vingança.
Sob tensão
Além disso, Dinho era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, comandado por fazendeiros e policiais contra trabalhadores rurais sem-terra em 1995. Na ocasião, a investigação conduzida pela Polícia Militar indicou que ele e o filho, Claudemir, eram líderes do movimento, e por isso ambos acabaram processados. Dinho conseguiu se livrar do julgamento, mas Claudemir foi condenado a oito anos e seis meses de prisão. Ele é considerado foragido desde 2004, mas cobra um novo julgamento por conta da frágil apuração conduzida pelo Ministério Público Estadual, fato anotado até mesmo pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
O sepultamento ocorrido domingo (29) em Theobroma, no interior de Rondônia, transcorreu sob tensão. A Polícia Civil confirmou a versão apresentada por testemunhas à Rede Brasil Atual de que dois homens foram presos com espingardas e revólveres quando o cortejo se encaminhava ao cemitério. A dupla alega que a farta munição havia sido usada em uma caçada na mata, versão que está sendo investigada.
Os familiares de Dinho pedem proteção policial para evitar que sofram ameaças e que ocorram novas mortes. “Não tem segurança nenhuma. Não tem nada”, reclamou um parente em conversa telefônica. “Não dá para confiar porque vê o que fizeram com meu pai. O governo não forneceu proteção nenhuma para o meu pai e o que acabou acontecendo com ele.” Desde 2009 o camponês denunciava as ameaças que vinha sofrendo.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Dr. Rosinha: A floresta chora
Como se fosse uma via sacra, dividida em vários atos ou estações, há muito tempo a floresta chora. Se a via sacra é composta por 14 estações, a de agressão à floresta tem infinitas.
Primeiro Ato ou Estação
Poderia voltar no tempo e buscar um fato que constituiria a primeira Estação, como, por exemplo, a morte de Chico Mendes, em 1988. Ou, mais antigamente, a morte do primeiro índio em solo brasileiro. Ou então a derrubada do primeiro pau-brasil. Para ficar no contemporâneo, fui buscar o primeiro ato no dia 24 de maio passado. Dia em que foi derrotado o Código Florestal.
Segundo Ato
Três dias depois, no dia 27, após o duplo assassinato de José Cláudio e Maria do Espírito Santo, também foi morto Adelino Ramos, presidente do Movimento dos Camponeses de Corumbiara e da Associação dos Camponeses do Amazonas. Adelino era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, em 1995, quando foram assassinados dez trabalhadores sem-terra. Ele vinha sofrendo ameaças de morte por denunciar a ação de madeireiros, que raramente agem em separado dos grandes fazendeiros do agronegócio, que no Congresso Nacional são representados pela bancada ruralista. Adelino foi morto a tiros por um motociclista enquanto vendia verduras produzidas no acampamento onde vivia, ou seja, era um agricultor familiar e não um fazendeiro.
Terceiro Ato
No dia 25 de maio, os Ministérios Públicos dos Estados e diversas outras entidades, presentes na 102ª reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente, em Brasília, divulgaram carta de repúdio ao Novo Código Florestal. Manifestam “profunda indignação diante da aprovação das alterações na Câmara Federal do Código Florestal Brasileiro, que enfraquecerá ainda mais a proteção das florestas, das águas, do ar, do solo, do clima, da biodiversidade, das populações em área de risco e da agricultura sustentável”. Chamam a atenção para a gravidade do fato “face aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil” e por ocorrer “às vésperas da Conferência Rio+ 20”. A aprovação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), torna “mais vulnerável o meio ambiente, as instituições e o Sistema Nacional do Meio Ambiente”. Torna mais vulnerável a vida humana.
Quarto Ato
Recebi centenas de mensagens me parabenizando por ter votado contra o relatório do Aldo Rebelo. Entre elas reproduzo uma recebida no dia 24, dia do assassinato de Zé Cláudio e Maria. “Olá, Doutor Rosinha. Venho aqui lhe pedir encarecidamente que impeça a força ruralista de vencer na votação do Novo Código Florestal. O assassinato de Zé Cláudio e sua esposa são uma demonstração terrível e clara de que essas pessoas só querem fazer o bem a si mesmas em prol de lucro e riquezas. Por favor, Doutor Rosinha, ajude o Brasil a vencer essa doença devastadora.”
Quinto Ato
Assim como a morte de Santiago Nasar foi uma “Crônica de uma Morte Anunciada” (romance de Gabriel Garcia Marquez), as mortes de José Cláudio e sua esposa Maria do Espírito Santo, assassinados em 24 de maio, não foram diferentes. Domingos Jorge Velho, um dos bandeirantes, fez um colar das orelhas que ele arrancou dos índios que ele matou na chamada “Confederação dos Cariris”, e por isso foi elogiado. A história se repete. Zé Claúdio teve a orelha decepada e levada pelos seus assassinos, provavelmente como prova do serviço realizado. Qual foi o fazendeiro (ruralista) que exigiu essa prova? Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo, agricultores familiares, viviam e produziam de forma sustentável num lote de aproximadamente 20 hectares, onde 80% da terra era de floresta preservada. Representavam aquilo que os ruralistas querem destruir, por isso a aprovação do relatório de Aldo Rebelo. Há muito Zé Cláudio e Maria vinham sofrendo ameaças de morte e, apesar de pedirem proteção, nunca foram ouvidos, até que a morte se anunciou.
Sexto Ato
Sob o pretexto de uma suposta modernização, no último dia 27 de maio, o governador do Paraná, Carlos Alberto Richa (PSDB), criou um grupo de trabalho para alterar a Lei Estadual de Agrotóxicos. Hoje no mundo todo se discute a restrição do uso de agrotóxicos. Como a lei estadual é restritiva, Richa e seu secretário Norberto Ortigara (Agricultura e Abastecimento) querem mudanças nos procedimentos para o cadastramento de agrotóxicos, para facilitar a compra de venenos (agrotóxicos) pelos produtores em geral e em especial de mandioca, frutas e arroz. Atualmente, muitos agrotóxicos disponíveis no mercado não podem ser vendidos no Paraná por falta de um segundo cadastro dos produtos, exigida pela Lei Estadual de Agrotóxicos. De acordo com Ortigara, as indústrias evitam arcar com os custos de um segundo registro no Paraná. Ora, por termos uma das leis mais avançadas do país, Beto Richa que flexibilizá-la. No caso, flexibilização significa ajuda para as empresas venderem mais veneno.
Sétimo Ato
Este ato está mais do que conhecido, foi o que ocorreu quase que simultaneamente aos atos anteriores, foi a aprovação festiva da morte da floresta, animais e seres humanos. Ocorreu na noite de 24 de maio, com a aprovação do relatório do deputado Aldo Rebelo pelo plenário da Câmara dos Deputados. Nesta noite os ruralistas comemoravam a dor da floresta, por isso ela chora e nós choramos juntos.
Oitavo Ato ou Estação
“A floresta chora”, frase tão bem traduzida numa das faixas que manifestantes usaram para fechar uma das rodovias no estado do Pará em protesto pela morte de Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo. A floresta chora, e eu choro junto. Infelizmente esta via sacra não vai parar nestas oito estações, e tampouco sabemos quando se chegará ao fim do calvário.
Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR).
CONVITE!
O recrudescimento da violência no campo e a impunidade dos crimes contra trabalhadores rurais serão debatidos numa audiência pública conjunta das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. O evento será no dia 28 de junho, às 14h, no plenário 1 do Anexo II da Câmara. As comissões decidiram colocar o tema em discussão motivados pela necessidade de uma resposta do Legislativo aos recentes assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais no Pará e em Rondônia.
Adelino Ramos foi executado no dia 27 de maio de 2011, em Vista Alegre do Abunã-RO, ao que tudo indica em represália a suas denúncias contra a extração ilegal de madeira. No dia 24 foram mortos numa emboscada o casal de castanheiros com militância ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna-PA. No dia seguinte era encontrado o corpo de Herenilton Pereira, morador do mesmo assentamento. No dia 9 de junho a vítima fatal dos conflitos fundiários foi o agricultor Obede Loyola Souza, no município de Pacajá-PA.
Os mesmos estados onde esses homicídios ocorreram foram palco de dois massacres emblemáticos: Corumbiara (RO) em 1995 e Eldorado do Carajás(PA) em 1996, que resultaram em 14 mortes no primeiro e 19 no segundo. Nos dois casos, trabalhadores sem-terra foram chacinados por forças policiais. Outro traço comum é a impunidade dos mandantes e executores. No caso de Corumbiara, a única condenação foi de um dos trabalhadores que sobreviveram ao massacre.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou, do começo de 2010 até hoje, 43 assassinatos de trabalhadores e lideranças que se encontravam sob ameaça. Todos vítimas de pistolagem, grilagem, disputas em terras indígenas e perseguição política.
Na audiência pública serão avaliadas ações legislativas para a prevenção da violência e o combate à impunidade. “A federalização é um dos instrumentos que o Congresso Nacional e o Judiciário podem utilizar para evitar que o poder local de mandantes dos crimes continue a garantir sua impunidade”, sugere o Deputado Luiz Couto (PT-PB), autor do requerimento da audiência pública aprovada na CCJC.
Por sua vez, a Deputada Manuela d’Ávila (PC do B-RS), autora do requerimento aprovado na CDHM, reconhece que “o Governo Federal busca sinergia e age com rapidez ao criar o grupo interministerial, mas são necessárias também outras estratégias no enfrentamento desse quadro de violação contínua dos direitos humanos, como agilizar a regularização de terras, ampliar a fiscalização ambiental e fundiária e desconstruir a certeza da impunidade”.
Foram convidados a participar, como expositores, a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário; o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Silva; representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da CPT, do Movimento Camponês Corumbiara e do MST.
Adelino Ramos foi executado no dia 27 de maio de 2011, em Vista Alegre do Abunã-RO, ao que tudo indica em represália a suas denúncias contra a extração ilegal de madeira. No dia 24 foram mortos numa emboscada o casal de castanheiros com militância ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna-PA. No dia seguinte era encontrado o corpo de Herenilton Pereira, morador do mesmo assentamento. No dia 9 de junho a vítima fatal dos conflitos fundiários foi o agricultor Obede Loyola Souza, no município de Pacajá-PA.
Os mesmos estados onde esses homicídios ocorreram foram palco de dois massacres emblemáticos: Corumbiara (RO) em 1995 e Eldorado do Carajás(PA) em 1996, que resultaram em 14 mortes no primeiro e 19 no segundo. Nos dois casos, trabalhadores sem-terra foram chacinados por forças policiais. Outro traço comum é a impunidade dos mandantes e executores. No caso de Corumbiara, a única condenação foi de um dos trabalhadores que sobreviveram ao massacre.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou, do começo de 2010 até hoje, 43 assassinatos de trabalhadores e lideranças que se encontravam sob ameaça. Todos vítimas de pistolagem, grilagem, disputas em terras indígenas e perseguição política.
Na audiência pública serão avaliadas ações legislativas para a prevenção da violência e o combate à impunidade. “A federalização é um dos instrumentos que o Congresso Nacional e o Judiciário podem utilizar para evitar que o poder local de mandantes dos crimes continue a garantir sua impunidade”, sugere o Deputado Luiz Couto (PT-PB), autor do requerimento da audiência pública aprovada na CCJC.
Por sua vez, a Deputada Manuela d’Ávila (PC do B-RS), autora do requerimento aprovado na CDHM, reconhece que “o Governo Federal busca sinergia e age com rapidez ao criar o grupo interministerial, mas são necessárias também outras estratégias no enfrentamento desse quadro de violação contínua dos direitos humanos, como agilizar a regularização de terras, ampliar a fiscalização ambiental e fundiária e desconstruir a certeza da impunidade”.
Foram convidados a participar, como expositores, a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário; o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Silva; representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da CPT, do Movimento Camponês Corumbiara e do MST.
assassinatos no campo serão debatidos em audiência pública
A violência no campo e os recentes assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais no Pará, Amazonas, Rondônia e Acre serão debatidos em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) na próxima quarta-feira (22), às 9h. O requerimento é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).
Foram convidados para o debate o desembargador e ouvidor agrário nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Gercino José da Silva Filho; o secretário de Segurança Publicado do Pará, Luiz Fernandes Rocha; o coordenador da Comissão Pastoral da Terra, padre Dirceu Fumagalli; e o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch.
Também participarão da audiência pública o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Júnior; o coordenador-executivo da Terra de Direitos, Darci Frigo; e o coordenador das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Ronaldo dos Santos.
Mortes no campo
Em abril de 2011, em Pacajá, no Pará, Adão Ribeiro da Silva e Nildo (de sobrenome desconhecido) foram mortos por terem supostamente denunciado plantadores de maconha dentro do assentamento Rio Bandeira, que fica em local isolado da região. No mês seguinte, equipes de policiais estaduais foram encaminhadas ao local para resgate dos corpos.
Em 24 de maio, os ambientalistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram mortos a tiros em uma estrada vicinal que leva ao Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, na comunidade de Maçaranduba 2, a 45 quilômetros do município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará. Há suspeitas de que o crime foi encomendado.
Três dias depois, Adelino Ramos foi assassinado em Vista Alegre do Abunã, em Porto Velho (RO), na divisa com Lábrea, no sul do Amazonas. Sobrevivente do Massacre de Corumbiara (RO), ocorrido em agosto de 1995, ele vinha denunciando a ação de madeireiros na região da fronteira entre os estados de Acre, Amazônia e Rondônia.
Outros assassinatos
No dia 28 do mesmo mês, foi encontrado morto o trabalhador rural Herenilton Pereira, 25 anos, que já se encontrava desaparecido há dois dias. Ele vivia no mesmo assentamento do casal de ambientalistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna, no Pará. O corpo foi encontrado por um grupo de assentados a 50 metros de uma das estradas vicinais, a sete quilômetros do local onde os ambientalistas foram mortos.
Em 2 de junho, foi encontrado o corpo do agricultor Marcos Gomes, que era acampado numa área do projeto de Assentamento Sapucaia, em Eldorado dos Carajás, no Pará. Ele teria sido assassinado a tiros por dois homens encapuzados e teve a orelha decepada após o crime, da mesma forma que o casal de ambientalistas morto no dia 24 de maio.
A notícia do assassinato levou a presidente Dilma Rousseff a convocar reunião com governadores da Região Norte e a anunciar ação militar de emergência, batizada de Operação de Defesa da Vida.
No último dia 9, Obede Souza foi assassinado próximo a sua residência, no Acampamento Esperança, também no município de Pacajá, no Pará. Ele teria denunciado e discutido com um grupo que seria responsável por extração ilegal de madeira na região. Seu corpo só foi encontrado no dia 11 e levado para a cidade de Tucuruí, onde o caso foi registrado pela polícia.
Em telefonemas, membros da CPT/AC recebem ameaças de morte
Ligações foram feitas para o celular e fixo da CPT na capital
toraDisputa por riquezas da floresta tem causado conflitos na região (Foto:Divulgação)Membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Acre receberam no começo deste mês ameaças de morte por telefone. Para a entidade, as ameaças são uma forma de intimidação ao trabalho realizado em áreas de conflito na tríplice divisa do Acre com Amazonas e Rondônia.
Entre os ameaçados estão o agente pastoral Cosme Capstano da Silva, que atua na zona rural de Boca do Acre (AM) e a coordenadora da CPT no Acre, Darlene Braga,
Na primeira ligação, no último dia 3, às 21h, Cosme ouviu o seguinte recado: “Estou ligando para você avisar aos seus amigos da CPT que morreu gente no Pará e em Rondônia e que agora vai ser no Amazonas e no Acre. E é daí por diante”.
Na segunda ligação, feita para a sede da CPT em Rio Branco, o funcionário Célio Lima recebeu a missão de repassar a ameaça aos seus colegas: “Você diga àquele seu amiguinho Cosme lá de Boca do Acre e àquela sua amiguinha Darlene que eles estão na lista”.
Para os dirigentes da comissão, as intimidações são uma forma de impedir o trabalho em defesa de pequenos agricultores nos seringais Macapá e Santo Antônio, localizados na divisa de Rondônia com o Amazonas.
“Essa é uma região muito rica em madeira e minerais, cobiça de grandes madeireiros e fazendeiros. Por ser uma região distante e de pouca presença do Estado acaba virando uma terra sem lei”, diz Darlene Braga.
Na CPT há 20 anos, a ativista afirma que essa foi a primeira ameaça recebida. Mas garante: “O Trabalho da CPT não vai parar por causa de dois ou três telefonemas.” Ela e Cosme vão nesta quinta-feira, 16, protocolar oficialmente denúncia no Ministério Público Federal.
Mortes: Maio e junho têm sido meses sangrentos nos conflitos agrários no Norte. Ao menos 5 mortes ocorreram no Pará e Rondônia. No dia 27, o camponês Adelino Ramos, o Dinho, foi executado em Vista Alegre do Abunã, na divisa do Acre com Rondônia.
Três dias antes, em Nova Ipixuna (PA), o casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi morto em uma emboscada no meio da floresta. As mortes levaram o governo federal a intervir na região, criando uma força-tarefa
O assassinato de camponeses e a aprovação do “novo código florestal” (UNIPA)
Violência e colaboração de classe: o assassinato de militantes camponeses e a aprovação do ?novo código florestal?
Comunicado Nº 33 da União Popular Anarquista – UNIPA – Junho de 2011
No último dia 24 de maio foi aprovado na Câmara dos Deputados o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB) sobre o Código Florestal por esmagadora maioria. No mesmo dia e a na mesma seção grande parte dos deputados saudaram o assassinato dos líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da SIlva e Maria do Espírito Santo Silva. Os dois foram assassinados a tiros no interior do Projeto de Assentamento Extrativista, Praia Alta Piranheira, no município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará. Na sexta-feria, dia 27 de maio, Adelino Ramos, o Dinho, sobrevivente do massacre de Corumbiara, foi assassinado no distrito Ponta de Abunã, em Rondônia. Sábado, dia 28 de maio, foi a vez do camponês-extrativista Erenilto Batista Afonso, ele também era integrante do assentamento extrativista Praia Alta Piranheira e segundo a CPT, foi morto por ter testemunhado o assassinato de José Claúdio Ribeiro e Maria do Espirito Santo.Na quarta-feira, dia 01 de Junho, Marcos Gomes da Silva, trabalhador rural do acampamento Nova Sapucaia, em El Dorado dos Carajás, no Pará, foi mais um assassinado.
Esses quatro assassinatos em menos de uma semana ganharam a mídia burguesa na semana que o agronegócio teve sua grande vitória na câmara dos deputados aprovando o Código Florestal. De maneira geral este novo código favorece ainda mais a expansão da fronteira agrícola. Na matéria do Causa do Povo Nº 52, de novembro de 2009, ?O governo Lula/PT e a luta pela terra no Brasil? já indicávamos que os sete anos do governo Lula geraram uma contra-reforma agrária do agronegócio.
A aliança com o chamado ?agronegócio? (corporações e setores agro-exportadores diretamente coligados, usineiros, empresários do ramo de celulose, laticínios e frigoríficos) foi fundamental para o governo de Lula (PT), tanto que um de seus ministros da agricultura, Roberto Rodrigues, era representante da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA). O sucesso do crescimento econômico brasileiro esteve diretamente associado ao alto preço das commodities no mercado internacional, que favoreceram as exportações brasileiras. Tal situação elevou o peso deste setor no PIB e na economia brasileira, fruto dos ajustes neoliberais feitos pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB/DEM). Hoje o setor representa 36% das exportações brasileiras.
Assim, a pressão para mudança da legislação ambiental, que de certo modo dificultava a expansão do ?agronegócio?, aumentou na medida em que o setor tornava-se peça fundamental na composição do governo e na economia do país. A violência no campo contra o camponês, o assalariado rural, o sem terra, a população ribeirinha e os trabalhadores extrativistas não pararam. Pelo contrário. Os assassinatos, portanto, infelizmente não são novidades.
A reforma agrária não avançou um centímetro no país, e inclusive deixou de ser o eixo de luta principal dos movimentos, em especial do MST. Mudando da luta pela terra e pela reforma agrária, para uma luta ?contra o agronegócio?, adotando assim uma política governista. Política que também se revigorou nos Sindicatos de Trabalhadores Rurais e na CONTAG – hoje controlada pelo PCdoB, um dos principais partidos do governo e hoje aliado do agronegócio. Esse deslocamento da ?luta pela reforma agrária? para a ?luta contra o agronegócio? implicou na prática numa abdicação da tática da ação direta.
Para lutar contra o agronegócio é preciso continuar fazer a luta direta pela terra. E a abdicação dessa luta (especialmente das ocupações de terras) que marcou a tática do MST durante o governo Lula.
Por fim, os trabalhadores do campo no Brasil continuarão a ser assassinatos – como foram agora JOSÉ CLÁUDIO, MARIA DO ESPÍRITO SANTO, DINHO, ERENILTO e MARCOS – Enquanto os que matam forem os que governam. A responsabilidade da morte dos cinco trabalhadores rurais é toda do atual governo e dos representantes do agronegócio. Para ampliar seus lucros, não só superexploram os trabalhadores como matam aqueles que lutam bravamente pelo seu pedaço de terra e pela defesa do meio ambiente contra a exploração e dominação capitalista. Corumbiara, Califórnia Paulista e tantos outros ficaram impunes. É a força deste latifúndio que tem assassinado homens e mulheres do campo.
Para avançar na luta dos trabalhadores no campo hoje, é preciso denunciar a conciliação das direções dos movimentos de luta pela terra e das Centrais e confederações sindicais. Também é necessário criar e organizar oposições de luta, retomando as bandeiras de luta pela terra; por emprego, piso e aumento salarial nacional para todos os trabalhadores rurais; e pela destruição do latifúndio. Para isso, é fundamental organizar nossa autodefesa e retomar as ocupações de terras e dos prédios do governo; os saques de alimentos e remédios. Caso contrário, veremos companheiros caírem mortos pela ação do agronegócio, hoje representado pela CNA, e pela omissão dos seguidos governos. Ontem de Fernando Henrique e Lula. Hoje de Dilma Roussef (PT).
Aos nossos mortos nenhum minuto de silêncio. Mas toda uma vida de luta!
AVANTE A LUTA PELA TERRA!
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