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Justiça é o que  quero!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pesquisa cria modelo para recuperar vegetação em florestas degradadas


Análise no PA resultou em cálculo que indica espécies para regeneração.
Próximo passo é criar programa de computador para aplicação do modelo.

O engenheiro florestal Rafael Salomão, do Museu Paraense Emílio Goeldi, apresentou no início de dezembro os primeiros resultados da pesquisa que desenvolve na Floresta Nacional Saracá-Taquera, em Oriximiná, a cerca de 880 quilômetros de Belém, no Pará. O estudo propõe a aplicação de um modelo estatístico para recuperar áreas de florestas degradadas.




A partir da análise de uma região com floresta degradada pela extração de bauxita na Flona Saracá-Taquera, explorada pelo Mineração Rio do Norte, Salomão criou um modelo que ajuda a determinar espécies essenciais e secundárias para regenerar a vegetação da melhor forma possível. O próximo passo consiste em criar um programa de computador para simplificar os cálculos do modelo estatístico, auxiliando produtores na regeneração de suas florestas.

Dessa forma, o modelo criado por Salomão poderia ser aplicado em qualquer área florestal, não necessariamente na Amazônia.

Para desenvolver o estudo, porém, ele avaliou uma área de vegetação densa e com um tipo de degradação acentuada. "Apesar de pontuais, as modificações causadas na vegetação pela mineração são muito intensas. As áreas de exploração mineral representam o extremo da degradação artificial", diz ele.

A extração de bauxista exige a retirada completa de toda a cobertura vegetal de floresta, segundo Salomão. Depois, ainda é necessário escavar de 4 a 10 metros de terra no solo para alcançar o minério. "O ambiente fica completamente desestabilizado. Todas as propriedades do solo são alteradas", diz.

Como seria feita a regeneração de uma área assim? De acordo com o pesquisador, a literatura científica existente sobre o tema é muito vaga. Existe uma orientação consensual para o produtor plantar cerca de 80 espécies para regenerar a área destruída. "Mas nenhum trabalho feito até agora identifica que espécies seriam essas", explica Salomão.

Foto: Rafael Salomão/ Arquivo Pessoal

Área degrada por extração de bauxita no PA.

A partir de um inventário florestal, ele identificou cerca de 1.500 espécies na Flona Saracá-Taquera e começou a aplicar índices ecológicos e socioeconômicos sobre elas.

Os critérios usados consideram abundância de espécies e dados específicos sobre as árvores, como o diâmetro do tronco e o peso. O pesquisador também availou valores comerciais das árvores, considerando preço da madeira e de produtos florestais não madeireiros que as espécies podem fornecer.

O resultado matemático permite determinar espécies-chave para a regeneração da área. "O modelo indica de 25 a 35 espécies assim, além de outras secundárias que interagem bem com elas", diz Salomão. Com o modelo, o pesquisador visa a recuperação de áreas degradadas no menor tempo possível.

Expedição faz levantamento inédito do Parque da Serra do Pardo, no Pará

Marcado pelo desmatamento, local concentra riqueza de plantas e animais.
Reserva está na região conhecida como Terra do Meio.


Uma expedição científica fez um levantamento inédito da biodiversidade do Parque Nacional da Serra do Pardo, na região da Terra do Meio, no Pará. O local, marcado pela grilagem e pelo desmatamento, concentra uma imensa riqueza de plantas e animais.


A Terra do Meio fica no centro do Pará, entre Altamira e São Félix do Xingu. A área é uma das mais ricas em biodiversidade na Amazônia. Durante 11 dias um grupo de 50 pesquisadores fez uma expedição no Parque Nacional da Serra do Pardo, uma das unidades de conservação na Terra do Meio. Partindo de Belém, foram três horas de avião e helicóptero até chegar ao parque, que tem o tamanho equivalente a 450 mil campos de futebol.

No meio da floresta, o Instituto Chico Mendes montou três bases para o trabalho das equipes. Foram improvisados laboratórios e alojamentos. Foram encontradas cinco novas espécies de peixes e 35 espécies de aves que os biólogos não esperavam encontrar na região, como o pássaro conhecido como cancão, típico da caatinga.



Já o grupo de botânicos se deparou com orquídeas e plantas carnívoras que são mais comuns no cerrado. O potencial de estudo científico no parque deixou os pesquisadores motivados.

“A área na Terra do Meio demanda inúmeros inventários. Essa é ponta do iceberg em termos de descobertas científicas”, explica Gianize Cunha, bióloga da UFPA.

O parque fica em uma área de transição geológica, entre o planalto central e a floresta amazônica. As descobertas podem ajudar os pesquisadores a entenderem como plantas e animais de outras florestas do país conseguiram se adaptar à Amazônia.

“Essa biodiversidade é muito importante não só para a pesquisa, mas para a sociedade brasileira. Daqui pode se achar uma série de espécies que podem alterar na área de segurança alimentar a cesta básica do mundo, com outras alternativas”, diz Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes.

O estudo da biodiversidade da região pode abrir caminhos não apenas para novas descobertas, mas também para o turismo. A pesquisa é importante para definir se o parque poderá ou não ser aberto à visitação pública.

Na região há cachoeiras, igarapés e pequenas praias banhadas pelo Rio Xingu. O trabalho dos pesquisadores servirá para a elaboração do plano de manejo do parque, ou seja, em que áreas e condições a região poderá vir a receber os turistas.

“Os parques se caracterizam pelas belezas cênicas. Onde tem beleza cênica o cidadão quer ver. Então, precisamos associar essa potencialidade e a perspectiva de desenvolvimento de pesquisas e de interesse empresarial para que o turismo aconteça”, completa Fabiano Villela, Parque Nacional da Serra do Pardo.

Além do Instituto Chico Mendes, participam pesquisadores da Universidade Federal do Pará e do Museu Emílio Goeldi.

Desmatamento da Amazônia aumenta no sul do AM e em RO, TO, AC e MA

Lábrea e Boca do Acre, no sul do AM, preocupam órgãos ambientais.
De 10 cidades que mais desmataram em setembro e outubro, 4 são do PA.



Relatório do Sistema de Deteção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) divulgado nesta semana pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica o aumento da devastação em áreas consideradas preocupantes, segundo as últimas análises, pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama.


As áreas que começam a preocupar desmataram pouco em números absolutos e comparados com os estados que mais devastam, Mato Grosso e Pará. Mas indicam crescimento considerável em relação ao ano passado.

O estado do Amazonas, por exemplo, teve aumento de 85,4% no desmatamento de setembro e outubro de 2010 em relação ao mesmo período de 2009, com os casos mais graves ocorrendo na porção sul e na divisa com o Acre, onde a devastação cresceu 271,8% na mesma comparação. No mesmo período, o crescimento foi de 81,2% em Rondônia, de 139,6% no Maranhão e de 458% em Tocantins, que desmatou 5,31 km² em setembro e outubro de 2010.

Veja desmatamento em estados no mesmo período de 2009 e de 2010


Estado Setembro e outubro de 2009 (km²) Setembro e outubro 2010 (km²)
Pará  200,55  334,23
Mato Grosso  175,84  130,67
Rondônia  85,24  154,41
Amazonas  64,06  119,82
Acre  11,24  41,80
Maranhão  18,49  44,19
Tocantins  0,95  5,31
Roraima  18,50  5,66
Amapá  0,70  0,52


O aumento da devastação em outros estados, em setembro e outubro, equilibrou a lista dos municípios que mais desmatam a Amazônia, liderada nos meses anteriores por locais em Mato Grosso ou no Pará.

Segundo a última análise do Deter, o Pará ainda tem 4 das 10 cidades que mais desmatam e o Mato Grosso, uma. Mas o Amazonas entrou na lista de setembro e outubro com 3 municípios: Boca do Acre, Lábrea e Manicoré, que ficam no sul do estado e são motivo de preocupação para órgãos ambientais.

A capital de Rondônia, Porto Velho, foi o município que mais desmatou a floresta em setembro e outubro, com 87,04 km² de mata derrubada. A cidade de Nova Mamoré, também no estado, aparece como a 6ª que mais desmatou no período, com 27,22 km² de floresta devastada.


Veja dez cidades que mais desmataram florestas em setembro e outubro


Dez municípios que mais desmataram no período Área devastada detectada pelo Inpe (km²)
Porto Velho (RO) 87,04
São Félix do Xingu (PA) 74,21
Altamira (PA) 42,49
Boca do Acre (AM) 40,72
Lábrea (AM) 29,41
Nova Mamoré (RO) 27,22
Pacajá (PA) 24,09
Colniza (MT) 19,38
Manicoré (AM) 17,89
Novo Progresso (PA) 17,53

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Comissão Externa, criada para acompanhar as investigações dos assassinatos dos trabalhadores rurais nos Estados do Pará e Rondônia, quer debater os resultados dos seus trabalhos numa audiência pública, com data ainda a ser definida. Requerimento nesse sentido foi apresentado nesta quinta-feira (18/08) pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que coordena a Comissão.



O pedido da senadora é que a apresentação seja feita em audiência pública conjunta das duas Subcomissões da Amazônia existentes no Senado, uma ligada Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e outra à Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR). Essa é presidida pela própria senadora.

A Comissão Externa esteve em Extrema, a 356 quilômetros de Porto Velho (RO), próximo de Vista Alegre do Abunã, onde foi assassinato o líder do Projeto de Assentamento Florestal (PAF), Adelino Ramos, o Dinho. Esteve também no assentamento de Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna (PA), onde foram assassinados no dia 24 de maio o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.

Nessas localidades, a Comissão recebeu denúncias de que as autoridades policiais não conseguem avançar na apuração dos crimes. “A Polícia Federal parece pouco aparelhada para tocar as investigações e a polícia civil demonstra pouco interesse em investir no processo e desvendar os crimes”, diz o manifesto encabeçado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e entregue aos senadores.

A Comissão Externa pretende propor aos governos um elenco de medidas que garantam a segurança, política de regularização fundiária e a presença do poder público na região.

Comissão Pastoral da Terra: O Estado não pode lavar as mãos diante de mortes anunciadas






A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT - reputa como muito estranhas as afirmativas de representantes da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará, do IBAMA e do INCRA que disseram no dia 25 de maio desconhecer as ameaças de morte sofridas pelos trabalhadores José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados a mando de madeireiros no dia 24/05/2011, em Nova Ipixuna (PA).
O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, chegou a afirmar que o casal não constava de nenhuma relação de ameaçados em conflitos agrários, elaborada pela Ouvidoria ou pela Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.
A CPT, que desde 1985 presta um serviço à sociedade brasileira registrando e divulgando um relatório anual dos conflitos no campo e das violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras, com destaque para os assassinatos e ameaças de morte, desde 2001 registrou entre os ameaçados de morte o nome de José Claudio.
Seu nome aparece nos relatórios de 2001, 2002 e 2009. E nos relatórios de 2004, 2005 e 2010 constam o nome dele e de sua esposa, Maria do Espírito Santo. Pela sua metodologia, a CPT registra a cada ano só as ocorrências de novas ameaças.
Também o nome de Adelino Ramos, assassinado no dia 27 de maio, em Vista Alegre do Abunã, Rondônia, constou da lista de ameaçados de 2008. Em 22 de julho de 2010, o senhor Adelino participou de audiência, em Manaus, com o Ouvidor Agrário Nacional, Dr. Gercino Filho, e a Comissão de Combate à Violência e Conflitos no Campo e denunciou as ameaças que vinha sofrendo constantemente, inclusive citando nomes dos responsáveis pelas ameaças.
No dia 29 de abril de 2010, a CPT entregou ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, os dados dos Conflitos e da Violência no Campo, compilados nos relatórios anuais divulgados pela pastoral desde 1985. Um dos documentos entregue foi a relação de Assassinatos e Julgamentos de 1985 a 2009. Até 2010, foram assassinadas 1580 pessoas, em 1186 ocorrências.
Destas somente 91 foram a julgamento com a condenação de apenas 21 mandantes e 73 executores. Dos mandantes condenados somente Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Irmã Dorothy Stang, continua preso.
As mortes no campo podem se intitular de Crônicas de mortes anunciadas. De 2000 a 2011, a CPT tem registrado em seu banco de dados ameaças de morte no campo, contra 1.855 pessoas.
De 207 pessoas há o registro de terem sofrido mais de uma ameaça. E destas, 42 foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato. 102 pessoas, das 207, foram ou são lideranças e 27 religiosos ou agentes de pastoral.
O que se assiste em nosso país é uma contra-reforma agrária e é uma falácia o tal desmatamento zero. O poder do latifúndio, travestido hoje de agronegócio, impõe suas regras afrontando o direito dos posseiros, pequenos agricultores, comunidades quilombolas e indígenas e outras categorias camponesas.
Também avança sobre reservas ambientais e reservas extrativistas. O apoio, incentivo e financiamento do Estado ao agronegócio, o fortalece para seguir adiante, acobertado pelo discurso do desenvolvimento econômico que nada mais é do que a negação dos direitos fundamentais da pessoa, do meio ambiente e da natureza.
Isso ficou explícito durante a votação do novo Código Florestal que melhor poderia se denominar de Código do Desmatamento. Além de flexibilizar as leis, a repugnante atitude dos deputados ruralistas, que vaiaram o anúncio da morte do casal, vem reafirmar que o interesse do grupo está em garantir o avanço do capital sobre as florestas, pouco se importando com as diferentes formas de vida que elas sustentam e muito menos com a vida de quem as defende.
A violência no campo é alimentada, sobretudo, pela impunidade, como se pode concluir dos números dos assassinatos e julgamentos. O poder judiciário, sempre ágil para atender os reclamos do agronegócio, mostra-se pouco ou nada interessado quando as vítimas são os trabalhadores e trabalhadoras do campo.
A morte é uma decorrência do modelo de exploração econômica que se implanta a ferro e fogo. Os que tentam se opor a este modelo devem ser cooptados por migalhas ou promessas, como ocorre em Belo Monte, silenciados ou eliminados.
A Coordenação Nacional da CPT vê que na Amazônia matar e desmatar andam juntos. Por isso exige uma ação forte e eficaz do governo, reconhecendo e titulando os territórios das populações e comunidades amazônidas, estabelecendo limites à ação das madeireiras e empresas do agronegócio em sua voracidade sobre os bens da natureza. Também exige do judiciário medidas concretas que ponham um fim à impunidade no campo.

O que realmente voce sabe da AMAZÔNIA??!!

Localização, tamanho e clima

A Amazônia está situada em sua porção centro-norte; é cortada pela linha equatorial e, portanto, compreendida em área de baixas latitudes. Ocupa cerca de 2/5 do continente e mais da metade do Brasil. Inclui 9 países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela). A Amazônia brasileira compreende 3.581 Km2, o que equivale a 42,07% do país. A chamada Amazônia Legal é maior ainda, cobrindo 60% do território em um total de cinco milhões de Km2. Ela abrange os estados do Amazonas, Acre, Amapá, oeste do Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Roraima e Tocantins.
O clima é do tipo equatorial, quente e úmido, com a temperatura variando pouco durante o ano, em torno de 26ºC.Árvores da floresta amazônica. É muito comum na região, os períodos de chuva provocados em grande parte pelo vapor d'água trazido do leste pelos ventos.
A grande bacia fluvial do Amazonas possui 1/5 da disponibilidade mundial de água doce e é recoberta pela maior floresta equatorial do mundo, correspondendo a 1/3 das reservas florestais da Terra. Floresta Amazônica.
Apesar de ser o maior estado brasileiro (Amazonas), possui a menor densidade demográfica humana, com menos de 10% da população do país, 7.652.500 habitantes.

Meios de transportes e Zona Franca

O transporte fluvial é ainda o mais importante, mas começa a ser complementado pelas rodovias federais, como a Transamazônica, a Belém - Brasília e a Manaus - Porto Velho. O aeroporto de Manaus tornou-se um dos principais do país em volume de carga embarcada, sendo utilizado para o escoamento da produção das indústrias eletrônicas da Zona Franca, estabelecida em 1967como área livre de importação e exportação. Nessa área, as mercadorias procedentes do exterior não pagam impostos de importação, quando se destinam ao consumo local, às indústrias da região, ou à reestocagem para reexportação.

Economia

A economia é dominada pelo extrativismo vegetal, exercido sobre uma flora com enorme variedade de espécies. Além da seringueira e do caucho, de onde se extrai a borracha, são coletadas a castanha-do-pará, vários tipos de madeira, gomas, guaraná, babaçu, malva e muitas outras. O extrativismo mineral, de gemas e pedras preciosas começa a assumir maior importância, já que a região possui inúmeros recursos, até hoje pouco explorados: ouro no Pará, no Amazonas, em Roraima e no Amapá; ferro no Pará (serra dos Carajás), no Amapá e no Amazonas; sal-gema no Amazonas e no Pará; manganês no Amapá (serra do Navio), no Pará e no Amazonas; bauxita no Pará (Oriximiná, no rio Trombetas, e em Tucuruí), além de calcário, cassiterita, linhita, gipsita, cobre, estanho, chumbo, caulim, diamante e níquel.
Na agricultura, as principais lavouras são as de juta, pimenta-do-reino, arroz, milho, cacau e mandioca. A criação de gado bovino concentra-se na região de Marajó, nos arredores de Porto Velho (Roraima), no Amapá e no norte dos Estados de Tocantins e Mato Grosso. A pesca do pirarucu e de outros peixes serve ao consumo local. Várias hidrelétricas, como as de Tucuruí, no rio Tocantins, no Estado do Pará, e a de Balbina, no Estado do Amazonas, próxima de Manaus, foram construídas.

Desmatamento da Floresta Amazônica

A Amazônia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna. Hoje, a área total vítima do desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazônia. Sobretudo a partir de 1988, desencadeou-se uma discussão internacional a respeito do papel da Amazônia no equilíbrio da biosfera e das conseqüências da devastação que, segundo os especialistas, pode inclusive alterar o clima da Terra.
Incêndio na floresta - Queimada para desmatamento Corte da madeira. Desmatamento da Amazônia.

Povos primitivos

A Amazônia é um dos poucos redutos do planeta onde ainda vivem povos humanos primitivos, dezenas de tribos que espalham-se em territórios dentro da mata, mantendo seus próprios costumes, linguagens e culturas, inalterados por milhares de anos. Antropólogos acreditam que ainda existam povos primitivos desconhecidos, vivendo nas regiões mais inóspitas e inacessíveis. As características do clima e do solo da região amazônica, pouco propícias à conservação de materiais, não deixaram muitos vestígios sobre a vida dos povos pré-colombianos. Mas o patrimônio arqueológico é precioso, com registros que chegam a 10.000 a.C. A riqueza da cerâmica, com suas pinturas elaboradas, demonstra que muitos desses povos atingiram um estágio avançado de organização social, sempre guiados por uma forte relação com a natureza.

Folclore

As origens do folclore da região amazônica se perdem no tempo, mas as raízes negras, indígenas e africanas continuam presentes e são encontradas em diversas manifestações culturais, mostrando influência de todos esses povos, transformada em rituais próprios e característicos da região. Na dança, na música como o carimbó, marabaixo e o boi-bumbá.
Tribos Indígenas:
  • Arara
  • Bororo
  • Gavião
  • Katukina
  • Kayapó
  • Kulína
  • Marubo
  • Sateré - Mawé
  • Tenharim
  • Tikuna
  • Tukâno
  • Wai-Wai
  • Yanomami

Chuvas e inundações na bacia amazônica

A bacia amazônica é um dos locais mais chuvosos do planeta, com índices pluviométricos anuais de mais de 2.000 mm por ano, podendo atingir 10.000 mm em algumas regiões. Durante os meses de chuva, a partir de dezembro, as águas sobem em média 10 metros, podendo atingir 18 metros em algumas áreas. Isso significa que durante metade do tempo, grande parte da planície amazônica fica submersa, caracterizando a maior área de floresta inundada do planeta, cobrindo uma área de 700.000 Km2.

Rio Amazonas

Rios da Amazônia. Em 1541, o espanhol Francisco de Orellana e seus homens navegavam no rio Napo (que desemboca em outro rio maior), a leste dos Andes. Passaram-se meses, e era incontável o número de afluentes que engrossavam as águas do imenso rio. A certa altura, a embarcação é atacada por um grupo de indígenas, que disparam flechas envenenadas. Orellana dá ordem para seus homens desviarem o barco, afastando-o do alcance dos índios. Após safar-se do perigo, Orellana, impressionado com o aspecto dos indígenas, que acredita serem mulheres, lembra-se das Amazonas - as guerreiras da mitologia grega - e batiza o rio que passa a se chamar rio das Amazonas.
O rio Amazonas começa no Peru, na confluência dos rios Ucayali e Maranõn. Entra no Brasil com o nome de Solimões e passa a chamar-se Amazonas quando recebe as águas do rio Negro, no interior do Estado do Amazonas.
No período das chuvas, os rio chega a crescer 16 metros acima de seu nível normal e inunda vastas extensões da planície, arrastando consigo terras e trechos da floresta. Sua largura média é de 12 quilômetros, atingindo freqüentemente mais de 60 quilômetros durante a época de cheia. As áreas alagadas influenciadas pela rede hídrica do Amazonas, formam uma bacia de inundação muito maior que muitos países da Europa juntos. Apenas a ilha do Marajó, na foz do Amazonas, é maior que a Suíça.
O rio Amazonas conta com mais de 1.000 afluentes e é o maior e mais largo rio do mundo e o principal responsável pelo desenvolvimento da floresta Amazônica. O volume de suas águas representa 20% de toda a água presente nos rios do planeta. Têm extensão de 6.400 quilômetros, vazão de 190.000 metros cúbicos por segundo (16 vezes maior que a do rio Nilo). Na foz, onde deságua no mar, a sua largura é de 320 quilômetros. A profundidade média é de 30 a 40 metros.
O rio Amazonas disputa com o Nilo o título de maior rio do mundo, mas é imbatível em volume d'água. Recebe cerca de 200.00 Km2 água por segundo e, em alguns pontos, o rio é tão largo que não dá para ver a outra margem.

Pororoca

Na foz do rio Amazonas, quando a maré sobe, ocorrem choques de águas, elevando vagalhões que podem ocasionar naufrágios e são ouvidos a quilômetros de distância, é a pororoca.
O volume de água do rio Amazonas é tão grande que sua foz, ao contrário dos outros rios, consegue empurrar a água do mar por muitos quilômetros. O oceano atlântico só consegue reverter isso durante a lua nova quando, finalmente, vence a resistência do rio. O choque entre as águas provoca ondas que podem alcançar até 5m e avança rio adentro. Este choque das águas tem uma força tão grande que é capaz de derrubar árvores e modificar o leito do rio.
No dialeto indígena do baixo Amazonas o fenômeno da pororoca tem o seu significado exato, poroc-poroc, que significa destruidor.
Embora a pororoca aconteça todos os dias, o período de maior intensidade no Brasil acontece entre janeiro e maio e não é um fenômeno exclusivo do Amazonas. Acontece nos estuários rasos de todos rios que desembocam no golfo amazônico e no rio Araguari, no litoral do Estado do Amapá, e também nos rios Sena e Ganges.

Rio Negro

Suas águas são mesmo muito escuras. Isso acontece por causa da decomposição da matéria orgânica vegetal que cobre o solo das florestas e é carregada pela inundações.
Como a água é muito ácida e pobre em nutrientes, é este processo que garante a maior parte dos alimentos consumidos pela fauna aquática.

Rio Solimões

Quando o rio Solimões se encontra com o Negro (ganhando o nome de rio Amazonas), ele fica bicolor. Isso acontece por que as águas, com cores contrastantes, percorrem vários quilômetros sem se misturar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Expansão da agropecuária é apontada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) como responsável pelos conflitos de terra na região amazônica.



Aos 45 anos, Nilcilene Miguel de Lima é uma amazônida exilada dentro da Amazônia.  Está longe da família e da terra onde ainda sonha cuidar de seus seis mil pés de café e da roça de banana.  Desde que escapou de uma emboscada, vive sob efeito de remédios, escondida e assustada.  Deseja muito voltar para casa, no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) de Gedeão, em Lábrea, no Amazonas, mas isto pode custar sua própria vida.  Entre todas as notícias que recebe de lá, uma é sempre repetida: se ela voltar, morre.

Um pistoleiro contratado para matá-la mantém a ameaça contra a vida de Nilcilene.  “Ele disse que queria me matar e também quebrar a minha perna”, conta a agricultora.  E o pior, segundo ela, é que o pistoleiro contratado para o “serviço” é conhecido, teria sido autor de uma morte no Acre e mesmo assim continua livre.  “Ele está dentro do assentamento, para me matar”.

Filha de seringueiros, com quatro filhos nascidos e um na barriga, ficou viúva.  Quando o primeiro marido, Chico Seringueiro, foi morto devido a conflitos de terra, ela foi morar na rua.  Os filhos foram para um educandário até que ela conseguiu uma nova colocação e começou a trabalhar.  Casou novamente e foi morar nas terras da sogra, em Extrema, Rondônia.  Por lá passou 12 anos, até que se mudou para as terras no Sul do Amazonas.

Em junho de 2010, quando já era presidente da Associação Deus Proverá (ADP), que reúne agricultores e seringueiros, foi espancada por homens flagrados por ela retirando madeira.  Até hoje sente dificuldades para ouvir em um dos lados devido à pancada que recebeu.  Procurou a polícia, fez exames, foi para Manaus, mas acabou retornando a Lábrea e recebeu o ultimato, deveria sair até agosto daquele ano.  “Chegou o mês, queimaram minha casa e todo meu café”, conta.

Este ano, apontada por madeireiros e grileiros com autora de denúncias que levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a agir na região, voltou a ser ameaçada.  Recebeu de amigos o alerta sobre o pistoleiro que a esperava e conseguiu fugir.  No dia 10 de junho estava longe de Lábrea, protegida, mas assustada e triste pela distância das terras e da família.  “Quem deveria estar preso eram o pistoleiros e os matadores, mas quem está presa sou eu”, lamenta.

Nilcilene escreveu até uma carta em que culpa o estado brasileiro no caso de ser assassinada.  “Eu quero é que prendam os bandidos e deixe o povo trabalhar, somos brasileiros.  Quero voltar para ao meu lugar”, apela.  Ela conta que agricultores e seringueiros vivem pressionados pelos grileiros e madeireiros que compram madeira dos assentamentos.  Quem não vende corre o risco de morrer.  “Eles não vivem lá, não vivem do suor.  Eu sou nascida na mata, seringueira, defendo o meio ambiente”, afirma.

O assentamento fica na Vila Califórnia, uma região no sul do Amazonas, bem perto da divisa com os estados de Rondônia e Acre.  Por lá vivem cerca de 500 famílias entre seringueiros e assentados da reforma agrária.  Fica na mesma região onde vivia o líder camponês Adelino Ramos, o Dinho, assassinado em Rondônia no final do mês de maio.  Dinho era sobrevivente do massacre de Corumbiara (RO) e presidente do Movimento Camponeses Corumbiara e da Associação dos Camponeses do Amazonas.  Foi morto ao estacionar o carro em que levava verduras produzidas no acampamento para vender.

Violência no Amazonas

Embora o número de assassinatos em decorrência de conflitos por terra no Amazonas ainda esteja entre os menores da Amazônia Legal, o estado já é campeão, ao lado do Pará, em número de ameaçados.  São 30 em cada um dos dois estados.  Só na região da Vila Califórnia, de onde veio Nilcilene, existem mais cinco pessoas ameaçadas.

Os casos trouxeram representantes da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) do governo federal à região.  Depois de entrevistas e visitas a locais de conflitos, chegaram a um total de 131 pessoas ameaçadas na região.

Na análise do advogado José Batista Afonso, da CPT do Pará, a violência acompanha a expansão da fronteira agrícola e a exploração da madeira.  É o que está acontecendo no Sul do Amazonas, onde o desmatamento aumenta ao mesmo tempo em que a grilagem e os casos de violência.  E foi o que aconteceu em outros estados, como o Mato Grosso, Rondônia e Acre.

Mas os casos não se limitam a estas regiões.  Em Mamirauá, calha do Rio Solimões, a centenas de quilômetros do Arco do Desmatamento, ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, famosa por seus planos de manejo, afirmam ser ameaçados por pescadores e políticos de Fonte Boa (AM) devido à pesca nos rios da região.  Ribeirinhos mantém projetos de exploração sustentável de Pirarucu e acordos de pesca em lagos do local limitam a atividade de pescadores.

Segundo dados da CPT, no ano passado 18 pessoas foram mortas no Pará.  Além dos assassinatos, em 2010 foram registradas 41 tentativas de homicídio na Amazônia Legal, 110 pessoas receberam ameaças de morte em estados da região, duas foram torturadas, 21 presas e 20 agredidas.

A impunidade e falta de ação das autoridades contribuem para esta situação.  No caso de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, cerca de dois meses depois do assassinato, no Pará, a polícia civil completou o inquérito e indicou nomes dos supostos autores, mas até agora ninguém foi preso.  O fazendeiro José Rodrigues Moreira, apontado como um dos mandantes, pretendia ampliar a área de criação de gado dentro da reserva extrativista e estava pressionando agricultores, segundo a CPT, com ajuda de policiais militares e civis.  O casal morto se opunha a esta ampliação.

Além de Rodrigues, há nomes de dois executores: Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento.  A polícia pediu a prisão temporária dos três, com parecer favorável do Ministério Público, mas o pedido foi negado pelo juiz da 4a.  Vara Criminal de Marabá, Murilo Lemos Simão.  Outro pedido, de prisão preventiva, também foi apresentado pela polícia e negado pelo juiz.  Desde então, entidades pedem o afastamento de Simão do caso.
Em nota recentemente divulgada à imprensa e assinada por 11 organizações, entre elas CPT e CNS, a decisão do juiz contribuiu para que os acusados fugissem da região e é “mais um passo a favor da impunidade que tem sido a marca da atuação do Judiciário paraense em relação aos crimes no campo”.  Testemunhas estariam sob risco, já que seus nomes foram divulgados pela polícia.  Caso um novo juiz não seja apontado, organizações pedirão a federalização do processo.  Outra crítica feita ao juiz é quanto à decretação de sigilo das investigações, mesmo sem que isto tivesse sido solicitado.

Neste domingo, 14 de agosto, Julio Cesar Ferraz de Souza foi entrevistado por Causa Operária. Ele relata a situação da região com a grilagem de terra e a perseguição aos ativistas



16 de agosto de 2011
Membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST), Júlio Cesar Ferraz de Souza conversa com Causa Operária sobre a situação da luta pela terra em Manaus. Ele veio a São Paulo para divulgar a verdadeira “terra sem lei” que é o estado para poder voltar para sua cidade e não ser assassinado por defender reivindicações populares como a moradia.
Ele está entre as 31 pessoas listadas pela Comissão Pastoral da terra (CPT) por estarem ameaçadas de morte no estado em conseqüência da luta pela terra. Júlio sofreu sete atentados e sua filha recém nascida está escondida por também estar correndo risco.
Durante a entrevista, Julio relatou as ameaças e atentados que sofreu. Contou também sobre o coronelismo no estado, em que 13 famílias controlam a imprensa, tribunais e a política local.
As pessoas que moram na região em que Adelino morreu continuam fugindo com medo. O camponês Adelino Ramos, ex-líder do MCC (Movimento Camponês Corumbiara), foi assassinado a tiro por jagunços que obedeciam a ordens de madeireiros que atuavam na divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia. De acordo com os relatos das testemunhas, Adelino Ramos estava trabalhando vendendo verduras quando foi executado com tiros à queima roupa por um motociclista.
As ameaças são feitas por latifundiários e madeireiros dos Estados do Tocantins, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Rondônia, Acre e Pará.
Os fatos relatados por Julio confirmam uma feroz perseguição contra os trabalhadores para evitar o desenvolvimento da luta do campo e a organização dos movimentos de luta pela terra e por moradia.
Há uma clara ofensiva da direita contra os movimentos do campo, onde aumentou o número de assassinatos, ameaças de morte, despejos e a repressão por parte da polícia e grupos e extermínio que agem sob a cobertura do governo.
A defesa de Júlio deve ser levada adiante pelos movimentos de esquerda e de luta. A imprensa operária deve ser uma tribuna de denúncia e de campanha política em defesa das reivindicações populares. A imprensa burguesa serve ao latifúndio e aos políticos burgueses atacando os que lutam no País. Além disso, estão numa acintosa campanha pela colocação do exército na região que não atuará em defesa dos trabalhadores, mas para manter a atual ditadura contra os pobres. Confira a entrevista na próxima edição impressa de Causa Operária, de 21 de agosto.


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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Corumbiara, Eldorado dos Carajás, será que serão os últimos? Tomara que sim! Porque é angustiante perceber que pessoas que querem trabalhar, querem cultivar a terra, recebem tal tratamento, e das autoridades constituídas!
Por que tanta terra em mãos de um só proprietário? Por que uma pessoa pode ter uma tv de 4.000 reais e milhões de pessoas vivem na miséria?
São fatos da realidade que eu não consigo assimilar!
Essas pessoas que foram condenadas, está claro que foi porque eram lideres, pois numa situação de tiroteio, como que ficou estabelecido quem matou quem? As familias estavam dormindo e  todo um contigente armado chegou atirando para todos os lados. Mas é possivel dizer qual dos membros do contingente  matou a menina Vanessa? Se é possivel, porque não foi condenado quem a matou? Pelo crime contra a vida dela? Porque foram condenados, justamente, dois lideres da ocupação da Fazenda Santa Elina?
Esses julgamentos parciais tem que ser anulados, seus resultados tem que se ser revertidos.
Tantos figurões por aí comentendo tantos crimes do colarinho branco! E as condenações deles, quando serão?
Eu sou apenas uma pessoa, realmente, a sociedade  conduzida pela midia oficial, trata muito mal os lavradores sem terra. Muitos os consideram vagabundos, invasores de propriedade alheia( é porque o cocneito de propriedade burguesa é muito forte, então, é fácil para a midia " fazer a cabeça " das pessoas.).
Não há uma conscientização a respeito da questão das terras que estão aí, nas mãos dos latifundiários, que foram griladas há muito tempo atrás e passaram pelas gerações da mesma familia.
Na verdade, o que existe é um completo desconhecimento por parte da sociedade, da verdadeira historia desses mais de 500 anos desde a chegada dos conquistadores /exploradores portugueses..
A final, a quem pertence a terra?
Ela faz parte de Natureza, assim como a água e o ar-todos elementos necessários à vida no planeta mas que são  comercializados  por pequenos grupos e acabam por serem negados ao povo .

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dilma faz críticas à PF e diz que coibirá abusos


BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff aproveitou a posse do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que foi reconduzido ao cargo, para mandar recados aos membros do próprio Ministério Público e da Polícia Federal. Dilma afirmou que seu governo se empenhará para coibir abusos e para fazer respeitar a dignidade humana e a presunção de inocência de acusados de cometer irregularidades. Foi uma crítica indireta à ação da PF, na semana passada, durante a Operação Voucher, que prendeu 36 pessoas suspeitas de desvio de recursos no Ministério do Turismo. Dilma não gostou de ver os detidos algemados quando embarcavam para Macapá - uma prática adotada internacionalmente. Ela também ficou profundamente irritada com o vazamento de fotos dos detidos, sem camisa.

A presidente elogiou a honestidade da população brasileira que, segundo ela, abomina o crime e preza a legalidade. Dilma fez questão de dizer que o Ministério Público é independente e que a polícia está mais bem equipada e com um setor de inteligência atuando intensamente. A posse de Gurgel, contrariando a praxe, ocorreu no Palácio do Planalto. Cabe à presidente da República indicar o nome do candidato a ocupar a vaga. O Senado tem de aprovar. Gurgel, logo depois de ser indicado por Dilma, deu um parecer pela legalidade na fortuna do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
- Onde ocorrerem mal feitos, onde o crime organizado atuar, nós iremos combater com firmeza, utilizando todos os instrumentos de investigação e punição de que o governo dispõe e sempre contando com a atuação isenta do Ministério Público, com a eficiência da polícia e com o poder de decisão do Judiciário - declarou, para complementar:
- Mas, ao mesmo tempo, tenho o dever de afirmar que farei tudo que estiver ao meu alcance para coibir abusos, excessos e afronta à dignidade de qualquer cidadão que venha a ser investigado - disse.
- O meu governo quer uma Justiça eficaz, célere, mas sóbria e democrática.
Dilma disse que há que se confiar nas instituições.
- Temos excelentes motivos para confiar nas nossas instituições pois todos nós compartilhamos dos valores que balizam a Justiça: respeito aos direitos individuais, igualdade de todos perante a lei, respeito à dignidade humana e rigorosa presunção de inocência. Só assim teremos certeza de que a Justiça prevalecerá.
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