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Justiça é o que  quero!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Manifesto.Por Arlete Guimarães Nilfeia G.


 
 


Nas minhas andanças pelo universo virtual, faço muitos amigos e entre eles, um, especial, por ser um lavrador ( ou, sem terra), um militante do movimento pelo direito à terra,  que me tem dado muita luz a respeito dos movimentos de luta no campo.
Ele me fala de  um  trabalhador sem terra , sobrevivente de um massacre, que vive clandestinamente há 15 anos, pois foi jurado de morte.
Naturalmente que, diante do quadro assustador das lutas no campo, com a falta da reforma agrária, com a omissão das autoridades governamentais para esse problema secular, ele não é o primeiro e nem será o ultimo a estar nessa situação.
Ele me fala do Massacre de Corumbiara, em Rondônia, Norte do Brasil, mais precisamente na região amazônica, que ocorreu em 9 de agosto de 1995,

O Massacre de Corumbiara está completando este mês de agosto, 16 anos.
Importa muito o que aconteceu naquela madrugada  onde morreram pelo menos 10 trabalhadores agricultores( pelos números oficiais) ,inclusive, uma criança de 6 anos.E dois policiais militares.
Claudemir Gilberto Ramos, juntamente com Cícero Pereira Leite Neto,  foi julgado e condenado, em 2005, pela morte desses policiais militares durante o episódio conhecido como Massacre de Corumbiara, em 9 de agosto de 1995, na cidade do mesmo  nome , no Estado de Rondônia; Claudemir foi condenado,também,  por prática de cárcere privado sob a  acusação de ter mantido os agricultores dentro da área de ocupação onde ocorreu o episódio, ou seja a Fazenda Santa Elina.
Importa muito que dois agricultores, sobreviventes do massacre, tenham sido condenados cinco  anos depois e até agora não se ter notícia de quantos  policiais militares tenham sido condenados pela morte desses 10 agricultores e dessa criança.
Importa muito que quem ordenou o ataque, durante a madrugada, inclusive quando, as famílias estavam dormindo ( porque eram famílias que se encontravam ocupando a  fazenda)tb não se tenha noticia de que tenha sido condenado. Foi o governo? Foram os fazendeiros?Afinal, eram tropas oficiais que estavam , também,  lá!
Então, porque condenaram  os dois agricultores?
Certamente, tem lógica vez que Claudemir , na época, aos 23 anos, já era um líder de movimento, ou seja, tão jovem e já com tanta responsabilidade .Mas é que o trabalho na terra não escolhe a idade ,o que existe é muito trabalho a ser feito, vontade  de semear e colher para a sua subsistência, dos seus e da própria sociedade.Afinal, o feijão com arroz vem da agricultura familiar e é o que a maioria dos brasileiros como no cotidiano. A soja, o grão de exportação, é um produto extremamente caro, cultivado pelos grandes senhores da terra. 
Ora, se no Brasil temos, diariamente, notícias de que pessoas  de cargos públicos, estão envolvidos em algum tipo de irregularidade e ,na verdade, o que se vê é que eles estão por aí, indo e vindo, sem que ninguém se incomode, ainda que os processos sejam instaurados mas eles, com suas influências e poder econômico, vão conseguindo burlar as leis, porque então penalizar duas pessoas que apenas lutam por um pedaço de terra para trabalhar e uma delas, Claudemir, foi também, massacrado sob torturas  durante o episódio?
Claudemir e Cícero viram todos os seus recursos negados. Claudemir, desde o massacre, vive foragido, pois tem a cabeça a premio por parte dos senhores da terra e além do mais, não aceita ser recolhido à prisão pela condenação porque sabe que ela foi um instrumento para que ele fosse trancafiado em uma prisão onde será alvo fácil para ser assassinado.
Se todos os recursos judiciais foram negados, porque então não pensar em recorrer a outro poder  , ou seja, requerer a anistia?
Anistia é o ato pelo qual o poder público, mas especificamente o poder legislativo, declara impuníveis, por motivo de utilidade social, todos quantos, até certo dia, perpetraram  determinados delitos,em geral, políticos, seja faznedo cessar as diligências persecutórias, seja tornando  nulas e de nenhum efeito as condenações.A anistia anula a punção e o fato que a causa
Por que os deputados e senadores não se sensibilizem para essa situação ?Como legisladores tem o poder de elaborar um projeto de lei de anistia para CLAUDEMIR e CICERO.Falta apenas a vontade política de fazer.E a nós, sociedade, o dever de sermos solidários com essas pessoas que,na verdade, não cometeram crimes e apenas se defenderam  da opressão.
O tempo não é um termômetro, como muitos insistem em dizer; nossa mente é que mede nossa vida e lhe dá longevidade Enquanto ela estiver ativa, teremos vontade e resistiremos ao que pode  nos causar mal estar.
Na verdade, como uma pessoa consciente e conscientizada, eu sempre vi os movimentos dos que costumam chamar de sem terra, com bons olhos, porque, vem do campo o que comemos.
O trabalhador do campo assim como o professor são aqueles que estão na base de todo o desenvolvimento das pessoas, Se você não comer satisfatoriamente, não tem  forças para fazer nada; se você não se instrui, não  adquiri conhecimento para  fazer as mudanças necessárias em sua própria sociedade.
Não tenho nada contra os movimentos sociais de grupos específicos, como de mulheres, étnicos, idosos, homossexuais, mas eu vejo que há necessidade de um movimento maior que é pela justiça social como um todo e para todos e  começando pelo campo, de onde vem nossos alimentos.
A natureza nos dá tudo que  precisamos ,  basta sabermos aproveitar, utilizar ,transformar com seriedade, porque dá para todos, basta não haver intolerância, arrogância , usura, ambição, ganância
Infelizmente ,ainda estamos muito longe de chegar a essa transformação quando  o agricultor possa ter o direito  trabalhar na terra, plantar, colher.simples assim,sem precisar ser massacrado por isso.
Como cidadã, sinto-me angustiada diante dessa realidade em que pessoas que querem  trabalhar na terra, que querem produzir  os alimentos que comemos, não têm condições de fazer seu trabalho e nem ao menos de prover a subsistência de sua família porque os governos todos entram e saem sem promover a reforma agrária, ou seja, distribuição de terras para quem quer trabalhar nela, acabando com as imensas terras que servem a monoculturas de soja, laranjas, etc. (para a exportação) e para o pasto.
A terra é para todos poderem usufruir dos bens que ela pode produzir; nada de plantar apenas uma coisa, mas, sim tudo o que se consome no dia a dia para o saudável desenvolvimento das pessoas.
As pessoas que ocupam terras não são vândalos, bandidos, infratores, meliantes, elas são pessoas que querem ser trabalhadoras da terra. Basta ver os exemplos dos assentamentos , comunidades onde as pessoas vivem, trabalham, estudam, ou seja, levam uma vida sem glamour, mas que lhes dá a certeza de sua dignidade.
Assim, estou aqui, sendo solidária  e convidando a todos para juntarem-se a essa luta ,por acreditar que  essa é uma luta que tem que ser de toda a  sociedade
A tarefa não é fácil, mas as formiguinhas só constroem  unidas. Separadas elas se perdem!.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Amazônia em causa


O Brasil ainda não se deu conta de que um novo capítulo da sua história está se oferecendo para ser escrito. Pela primeira vez a feição geográfica do país não dependerá de um ato de império do poder central. Ao invés disso, um plebiscito inédito será realizado, graças à regra estabelecida pela Constituição de 1988. Os eleitores votarão para definir o novo perfil do Pará, o segundo maior Estado da federação.
A consulta plebiscitária acontecerá dentro de quatro meses, mas nem a opinião pública se interessou até agora pelo tema, certamente por desconhecer a sua importância, nem as regras básicas estão definidas. O Tribunal Superior Eleitoral terá até o final do mês para decidir se aproveita ou não as sugestões apresentadas na audiência pública, realizada na semana passada, em Brasília.
O que está em causa é um território de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, onde vivem mais de 7,5 milhões de pessoas. Se o Pará atual constituísse um país independente, seria o 25º mais extenso do mundo. No continente, só a Argentina e o próprio Brasil o superariam. Seria um pouco maior do que a Colômbia. Pelo critério populacional, ficaria na 97ª posição mundial.
A primeira ordem de grandeza que impressiona resulta do contraste entre extensão física e população. É o critério que mais pesa nas decisões tomadas pelo poder central em relação à Amazônia. Os estrategistas de Brasília acham que a dispersão demográfica é um elemento de fragilidade da região diante da cobiça internacional que provoca.
Pouca gente espalhada por um espaço tão grande também dificultaria o aproveitamento das riquezas naturais da Amazônia e sua integração econômica ao país, expondo-a ao risco de interesses externos e a uma eventual usurpação por potência mundial, como os Estados Unidos. Seria necessário encurtar o espaço e adensar a presença do pioneiro nacional (o colono e o colonizador) para garantir a soberania e a segurança nacional.
Este seria o principal fundamento para dividir o Pará. Seu atual território passaria a abrigar mais dois Estados: Tapajós, a oeste, e Carajás, ao sul.  O Pará remanescente seria o menor territorialmente dentre os três, porém o maior em população. O novo Pará cairia da 2ª para a 12ª posição no ranking nacional por extensão, ficando quase do mesmo tamanho de Roraima e Rondônia na própria Amazônia e de São Paulo, a mais habitada das unidades federativas brasileiras. A queda seria menos acentuada do ponto de vista demográfico: sairia do 9º para o 12º lugar entre os Estados mais populosos.
O possível Estado do Tapajós, com 722 mil km2, seria o 3º maior do Brasil (superado apenas pelo Amazonas, com 1,5 milhão de km2, e Mato Grosso, com 903 mil), mas estaria no rabo da fila demográfica: teria mais habitantes apenas do que Acre, Amapá e Roraima, todos na Amazônia mesmo (os dois últimos transformados em Estados pela constituição de 1988). Já Carajás, com 285 mil km2, seria o 8º maior do país em extensão e estaria apenas uma posição acima do Tapajós em população.
Mas não é só – nem principalmente – esse conjunto de grandezas que estará em jogo no plebiscito. O território que pode vir a abrigar esses três eventuais Estados é o maior exportador mundial de minério de ferro, o maior produtor de alumina , o 3º maior produtor internacional de bauxita, significativo produtor de caulim (o de melhor qualidade do mercado para papéis especiais) de alumínio, e possui crescente participação em cobre e níquel.
É uma pauta de exportação mineral mais diversificada do que a da África do Sul, cuja atividade econômica é muito mais antiga do que a do Pará. Sem falar em várias outras riquezas naturais, reais ou potenciais, que fazem dessa parte do Brasil uma fonte de commodities para o mundo.
Com a exploração desses recursos, o Pará se tornou o 5º maior produtor de energia (e o 3º maior exportador de energia bruta) do Brasil, o 2º maior minerador nacional, o 5º maior exportador geral e o 2º que mais divisas fornece para o país. De cada 10 dólares recolhidos pelo Banco Central, 70 centavos são provenientes do Pará. Em compensação, ele é o 16º em desenvolvimento humano e o 21º em PIB/per capita (a riqueza dividida pela população). Está do lado do 3º Brasil, o mais pobre, na companhia de seis Estados nordestinos.
A nova configuração física dessa vasta área de 1,2 milhão de km2 vai mudar esse paradoxo, que submete o Estado, por decisão tomada de fora para dentro, e de cima para baixo, a um processo de desenvolvimento semelhante ao do rabo de cavalo: quanto mais cresce, mas vai para baixo?
Com base nessa realidade, é impossível não concluir que o Pará segue um modelo colonial. Não sendo o detentor do poder decisório, a utilização das suas riquezas beneficia mais a quem compra do que a quem produz. Os efeitos multiplicadores ocorrem fora do seu território, assuma ele sua configuração atual ou seja retalhado em mais duas partes. Essa modificação não atingirá o processo decisório.
Se realmente o Brasil considera a Amazônia a sua grande fronteira, a ser utilizada para poder crescer mais e com maior rapidez, o debate sobre a redivisão do Pará devia ser item importante da agenda nacional. O jurista paulista Dalmo de Abreu Dallari, com o endosso do senador – também paulista – Eduardo Suplicy, interpelou o TSE para que o plebiscito, ao invés de ser realizado apenas junto à população do Pará, se estenda a todo país.
O pedido não tem fundamento legal. A constituição, ao determinar a consulta específica à “população diretamente interessada”, eliminou a audiência generalizada. Do contrário, não precisaria fazer a restrição. Mas se não pode votar no plebiscito, o brasileiro pode – e deve – se manifestar sobre a causa. Pela primeira vez, se o Brasil mudar de feição, terá sido pelo voto do cidadão e não por ordem de Brasília. É uma responsabilidade e tanto.

COMPANHEIROS, CAMARADAS !!! (URGENTE).JUSTIÇA JÁ !!!

 Nós todos do Comitê Nacional Solidário as Vitimas Camponesa do Massacre de Corumbiara e MCC!!
Estamos frente aos senhores,companheiros de tantas lutas e de tanto sacrificio...voces que hoje estão livres,que podem ir com a familia aonde quiser...festas, missas,cultos e encontros entre amigos,não sabem,mas podem bem imaginar o que é querer compartilhar tudo isso e não poder; por estar frente a uma situação que exasperadamente diverge da verdade! Claudemir Gilberto Ramos e seu companheiro de infortunio  Cícero Pereira Leite Neto, não são culpados, não são assassinos,não são deliquentes, são pessoas de bem,são homens que o proprio trabalho quando do massacre já mostrava quem eram .Pessoas que estavam com enxadas,e sementes plantando e não fazendo planos de chasina como aconteceu com pessoas que ao lado deles também plantavam e semeavam,é por isso camaradas que pedimos aos senhores quão dignos que são um favor,só um favor...de tirar dez minutinhos de seus preciosos tempo, e enviar á Camara Federal ,aos senhores deputados...fax,email,telegrama,manifestos em geral para votarem em pról do pedido de anistia que ontem foi protocolado pelo dignissimo senhor deputado federal  João Paulo Cunha, para libertação dos nomes acima citados. Está na hora de se fazer justiça,que seja agora,não esperar mais 16 longos anos para isso,seria muita dor,seria muita injustiça.





LIBERDADE AOS COMPANHEIROS LIBERDADE!LIBERDADE!E UM DIREITO A INOCENTES


LIBERDADE  AOS COMPANHEIROS LIBERDADE!LIBERDADE!E UM DIREITO A INOCENTES

DEPUTADO FEDERAL JOÃO PAULO PT ACABA DE PROTOCOLAR NESTA TARDE DE HOJE 10/08/2011 NA CÂMARA DOS DEPUTADOS PEDIDO DE ANISTIA AOS COMPANHEIROS, CLAUDEMIR GILBERTO RAMOS E CICERO PEREIRA,SEM TERRAS CONDENADOS EM 2000 PELO MASSACRE DE CORUMBIARA

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sobrevivente do massacre de Corumbiara vive há 16 anos como "foragido da injustiça"



Via RedeBrasilAtual

Na primeira entrevista desde a época dos fatos, Claudemir Ramos cobra um novo julgamento e afirma que já cumpriu pena até maior que a imposta pelo Judiciário
João Peres
Claudemir Gilberto Ramos acredita que se voltar a Rondônia será morto por policiais ou fazendeiros (Foto: Reprodução TVT)
São Paulo – "Estou sofrendo uma prisão psicológica." Faz 16 anos que Claudemir Gilberto Ramos, de 38 anos, tem a cabeça a prêmio. Pelo que se sabe, são R$ 50 mil por sua morte. "Para mim, já estou cumprindo a pena até demais, mesmo não estando na prisão. Só não me entreguei porque acho injusto. Se tivesse cometido crime, tinha que pagar pelo que fiz, mas não cometi o crime."
Claudemir se considera um "foragido da injustiça". Desde que ocorreu o massacre de trabalhadores rurais em Corumbiara, a 700 quilômetros de Porto Velho (RO), ele não sabe o que é endereço fixo, trabalho com registro em carteira ou convívio familiar. Condenado a 8 anos e seis meses de reclusão, reclama um novo julgamento e uma efetiva apuração dos fatos ocorridos na madrugada de 9 de agosto de 1995, quando ao menos 12 sem-terra foram mortos por policiais militares e pistoleiros na Fazenda Santa Elina.
Esta semana, Claudemir quebrou o silêncio pela primeira vez desde a época do massacre, em entrevista concedida à Rede Brasil Atual e à TVT. Tenso, contou que não sabe quando foi a última vez que viu as filhas nem a mãe, e expôs sua versão do ocorrido, que na visão da Organização dos Estados Americanos (OEA) representa um erro cometido pelo Brasil devido às execuções realizadas por policiais e ao júri repleto de inconsistências.
Claudemir e seu colega Cícero Pereira Leite foram condenados com base em uma peça do Ministério Público Estadual que se baseou quase que exclusivamente na investigação da Polícia Civil. Esta tomou como fundamento a apuração conduzida pela Polícia Militar, envolvida na operação.
Relatório de 2004 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), integrante da Organização dos Estados Americanos (OEA), concluiu que eram necessários novos esfoços de investigação. "A falta de independência, autonomia e imparcialidade da Polícia Militar (…) constitui violação do Estado brasileiro", defende o órgão. Nas palavras de Claudemir, não se pode pagar por um crime que não se cometeu: "O julgamento foi totalmente preconceituoso. Para mim, quem tinha que ser condenado eram os mandantes".
Os fazendeiros apontados como responsáveis pelo aliciamento de uma milícia armada que se infiltrou entre policiais foram impronunciados pela Justiça, quer dizer, as acusações foram descartadas antes mesmo de haver julgamento.
O lavrador explica que teme pela própria integridade física, por isso não se entregou em 2004, quando se esgotaram os recursos no Judiciário e ele passou a ser considerado um foragido. "Tenho certeza que se me entregar e for pra Rondônia não demora muito eles (fazendeiros e policiais) me assassinam, porque o preconceito da Polícia Militar é grande pela morte do tenente", afirma. A referência é a um dos policiais que morreram no enfrentamento dos trabalhadores.
No sistema prisional de Rondônia, as cabeças têm preço. Urso Branco, na capital de Porto Velho, registra episódios de graves chacinas. A recorrência faz com que o local seja considerado como o mais grave na história dos presídios brasileiros desde o massacre do Carandiru, ocorrido na década de 1990 em São Paulo.
A noite do crime
A ocupação da Fazenda Santa Elina teve início em 15 de julho de 1995. Na tarde de 8 de agosto, quando havia uma ordem judicial para a remoção dos sem-terra, uma negociação definiu que em 72 horas haveria uma nova conversa para definir sobre a saída, segundo Claudemir. Os acampados queriam garantias de que a área seria destinada à reforma agrária. "Até comemoramos entre os familiares, fizemos assembleia geral achando que tinha (sido) conquistado um passo da vitória porque a área já estava negociada", resume Claudemir.
Na madrugada, no entanto, um grupo invadiu o local a balas. "A gente não pode ser hipócrita. A gente tinha vigília no acampamento, até porque já tinha recebido vários ataques dos jagunços. Tinha arma de caça, ferramentas, só que (com) nossas armas era impossível combater o comando da polícia e dos jagunços", relembra
A legislação brasileira proíbe que ações de reintegração de posse sejam cumpridas durante a noite. Na troca de tiros, morreram três policiais e dois trabalhadores. Claudemir nega que tenha culpa nos episódios: "O que fiz foi me deitar no chão. Só ouvi os gritos das pessoas. Não tinha como fazer nada. Fiquei ali de bruços no chão. A única arma que eu tinha, que eu tava usando no dia da negociação, era uma máquina de foto, que no dia seguinte, na tortura, foi quebrada na minha cabeça."
Já dominados os trabalhadores, a polícia deu início a uma série de agressões, torturas e execuções que são documentadas em depoimentos e análises técnicas. Os adultos foram amarrados e jogados ao chão, enquanto as crianças eram obrigadas a pisoteá-los. Uma menina que tinha seis ou sete anos recusou-se a fazê-lo e acabou morta, segundo os relatos. Claudemir relata que homens sofreram mutilação dos testículos e alguns mortos tiveram os pescoços cortados por motosserras. Os trabalhadores foram obrigados a comer terra misturada ao sangue. Nessa etapa, há oito execuções extrajudiciais comprovadas.
Tortura e perseguição
Foi ali que Claudemir começou a driblar a morte. "Não tinha um comando, um chefe, mas eles me consideravam um chefe. Teve uma pessoa que falou que eu era o chefe, foi onde começou a tortura." Com a cabeça ferida por baionetas, ele desmaiou e, segundo testemunhas, foi jogado em um caminhão em que foram transportadas as vítimas. Ele conta que acordou no necrotério. Lá, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do PT já haviam se inteirado do massacre e pressionaram para que fosse preservada a vida dos feridos.
Não era o suficiente para intimidar os mandantes da matança. Transferido para um hospital em Vilhena, Claudemir sustenta que recebeu a visita de dois policiais militares que só não conseguiram ir adiante graças à chegada de uma enfermeira. Na capital Porto Velho, a presença de policiais civis tampouco freou o ímpeto de matar o trabalhador, que se viu forçado a começar uma vida peregrina.
Em 2000, o Tribunal de Justiça de Rondônia agendou uma série de julgamentos sobre o caso. O Ministério Público defendeu a tese de que Claudemir e Cícero convenceram as mais de 2 mil pessoas que integravam as 500 famílias a ocupar Santa Elina. O promotor Elício de Almeida Silva defendeu, então, que eles eram culpados pela morte de doze trabalhadores e ainda deveriam responder por cárcere privado, uma vez que teriam impedido a saída dos demais acampados.
"Não achava que ia ser condenado porque não tinha prova nenhuma. Só que no final do julgamento a surpresa foi grande. No corpo de jurado para mim, tudo era ou fazendeiro ou amigo dos fazendeiros", relata Claudemir. "Para mim, não tem prova, não devo esse crime. Estava lutando pelos direitos dos trabalhadores e isso não é crime", sustenta.
O colega Cícero Pereira foi condenado a seis anos e dois meses por participação em um homicídio. Pela parte dos policiais, foram sentenciados o capitão Vitório Regis Mena Mendes e os soldados Daniel da Silva Furtado e Airton Ramos de Morais, mas todos ganharam o direito a um novo julgamento. Os demais policiais foram absolvidos, bem como Antenor Duarte, indicado por pistoleiros como mandante do massacre, tendo inclusive premiado com carros os comandantes da operação.
Apoio
Movimentos de defesa dos direitos humanos remeteram o caso ao âmbito da OEA. Em 2004, a CIDH informou que os fatos ocorreram antes do ingresso do Brasil no sistema interamericano de justiça e, portanto, não poderia ser enviado à Corte Interamericana. Mesmo assim, recomendou que o país deveria conduzir uma apuração imparcial e séria, inclusive determinando a participação de cada um dos envolvidos nos crimes, a começar pelos mandantes.
O Comitê Nacional de Solidariedade ao Movimento Camponês de Corumbiara apoia-se no relatório da CIDH para solicitar um novo julgamento. Esta semana teve início uma articulação, com o envio de ofícios à presidenta Dilma Rousseff, à ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. "Estamos tentando despertar o interesse de nossa sociedade em torno de uma grande injustiça", argumenta o padre Leo Dolan, presidente do comitê. "Sem uma reforma agrária séria, os problemas do Brasil não serão resolvidos", insiste.
Para Claudemir, é a única maneira de deixar de ser um foragido da injustiça. "Sei que estou correndo risco de vida, mas é melhor morrer lutando do que ter sido covarde e não ter lutado por seus direitos."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

16 anos do Massacre em Corumbiara !!!!

Claudemir Gilberto Ramos e cicero..., foram julgados e condenados, em 2005, pela morte de dois Pms durante o episódio como massacre de Corumbiara, em 9 de agosto de 1995, na cidade do mesmo  nome em Rodndonia; Claudemir foi condenado,t ambém por prática de cárcere privado sob a   de ter mantido os agricultores dentro da área de ocupação onde ocorreu o episódio, ou seja a FAZENDA Santa Elina;
É O QUE TOMEI CONHECIMENTO AO LER as noticias na internet sobre esse acontecimento.
E pelos depoimetos do próprio Claudemir, em entrevista par a rede Brasil atual.( fontes...)
O Massacre de Corumbiara completa hoje, 16 anos.

Importa muito o que aconteceu naquela madrugada de 9 de agosto pois não morreram apenas 2 pms ,mas pelo menos 10 trabalhadores agricultores( pelos números oficiais) e ,inclusive, uma criança de 6 anos.
Importa muito que dois agricultores tenham sido condenados 5 anos d pois e até agora não se tem notícia de quantos pms tenham sido condenados pela morte desses 10 agricultores e dessa criança; importa muito que quem ordenou o ataque, durante a madrugada, inclusive quando, as famílias estavam dormindo( porque eram famílias que se encontravam ocupando a  fazenda)TB NÃOS E TENHA NOTICIA DE QUE TENHA SIDO CONDENADO quem ordenou o massacre.( foi o governo? Foram os fazendeiros?Afinal, eram tropas oficiais que estavam , também,  lá!
ENTÃO, PORQUE 'CONDENAR  OS DOIS AGRICULTORES?
Certamente, tem lógica vez que Claudemir ,aos 23 anos já era um lider de movimento, ou seja, quase um menino e já com tanta responsabilidade .Mas é que entre trabalhadores rurais não
existe essa coisa de jovem ter que curtir a sua idade, o que existe é muito trabalho a ser feito, vontade  de semear e colher para a sua subsistência, dos seus e da própria sociedade.Não canso de repetir que o feijão com arroz vem da agricultura familiar. A soja, o grão d e exportação, é privilégio das pessoas adeptas da dieta natural, e sao produtos extremamente caros nas prateleiras do sm.
Então, se no brasil temos diariamente ( ou quase) notícia de que parlamentares, ministros, secretários, estão envolvidos em algum tipo de irregularidade, e na verdade, o que se ve é que eles estão poraí, indo e vindo, sem que ninguém se incomode, ainda que os processos sejam instaurados mas eles, com suas influências e poder econômico, vão conseguindo burlar as leis, Porque então penalizar duas pessoas que apenas lutam ´por um epdaço de terra para trabalhar e uma delas, Claudemir, foi também, massacrado sob torutras  durante o episódio?
 Claude ir e cicero viram todos os seus recursos negados. Claudemir ,desde o massacre, vive foragido, pois tem a cabeça a premio por parte dos senhores da terra  e além do mais, não aceita ser recolhido à prisão pela condenação porque sabe que ela foi um instrumento para que ele  fosse tancafiado em uma prisão onde será alvo fácil para ser assassinado.
 Anistia é o ato pelo qual o poder público, mas especificamente o poder legislativo, declara impuníveis, por motivo de utilidade social, todos quantos, até certo dia, perpetraram  determinados delitos,em geral, políticos, seja faznedo cessar as diligências npersecutórias, seja tornando  nulas e de nenhum efeito as condenações.A anistia anula a punção e o tafto que a causa
Que os deputados e senadores do PSOL, PCB, PSTU, se sensibilizem para essa situação pois que como elgisladores tèm o pdoer de elaborar um rpojeto de lei de anistia para CLAUDEMIR e CICERO.

MPF-RO ABRE INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO SOBRE AMEAÇAS CONTRA PADRE


Data : 8/8/2011
Instituição investiga ocorrências de ameaças de morte sofridas por padre Juquinha
O Ministério Público Federal em Rondônia (MPF/RO) abriu investigação para verificar ocorrências de ameaças de morte contra José Geraldo da Silva, conhecido como padre Juquinha, liderança atuante em movimentos sociais, em Candeias do Jamari e Porto Velho. O procurador da República Ercias Rodrigues enviou informações sobre o caso à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e ao governador de Rondônia, solicitando providências de salvaguarda da vida do padre.

            O MPF/RO também solicitou providências a respeito do caso à Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar. A Ouvidoria Agrária Nacional e o arcebispo de Porto Velho, Dom Moacyr Grechi, foram informados sobre a abertura do inquérito civil público.

            Chegou ao conhecimento do MPF/RO que padre Juquinha estaria sofrendo ameaças de morte em decorrência de sua atuação em movimentos sociais e na Comissão Justiça e Paz, da arquidiocese de Porto Velho, principalmente quanto à defesa de direitos fundamentais dos pobres. O padre confirmou as ameaças e, com isto, o inquérito civil público foi instaurado.

            Para o procurador Ercias Rodrigues, a ausência de políticas públicas voltadas para a redução da violência em Rondônia - principalmente as que envolvem os movimentos sociais urbanos ou rurais - pode ampliar crimes contra lideranças comunitárias, como se observou na morte de Adelino Ramos, em maio deste ano.

INDIOS PERUANOS ABANDONADOS E MADEREIROS CORRUPTOS!

Indígenas peruanos foram obrigados a montar um posto de guarda para proteger uma reserva de índios isolados, depois que as autoridades ignoraram seus pedidos repetidos para que uma ação fosse tomada.
A reserva Isconahua na fronteira Peru-Brasil foi criada com o apoio da organização indígena amazônica do Peru, AIDESEP, para proteger os índios isolados Isconahua que vivem na floresta.
Mas a reserva foi invadida por madeireiros ilegais, e numerosos apelos feitos para as autoridades foram ignorados.
Agora, as organizações indígenas locais ORAU e FECONAU se uniram para criar um posto de guarda para proteger a reserva.
A exploração de madeira ilegal está fora de controle no Peru, e constitui uma séria ameaça à sobrevivência de cerca de 15 grupos de indios isolados no país. Vôos sobre a Amazônia documentaram acampamentos ilegais de madeireiros que estão forçando os índios a fugir para territórios desconhecidos.
Survival International já recolheu quase 100.000 assinaturas pedindo ao presidente Alan García para pôr um fim à exploração ilegal de madeira e para salvaguardar as terras indígenas.
Este mês, ORAU divulgou um comunicado pedindo ao Departamento de Assuntos Indígenas do governo, INDEPA, para que junte seus esforços para proteger as reservas.
O diretor da Survival, Stephen Corry, disse hoje, ‘Que as organizações indígenas locais devem proteger as reservas de índios isolados é uma crítica devastadora da inação do governo. Ver e ignorar o problema parece ser a tática preferencial do governo.’

Desmatamento em Rondônia é resultado do modelo econômico exploratório


O atual modelo econômico de ocupação e uso dos recursos naturais é um dos principais fatores que causam o aumento do desmatamento em Rondônia, de acordo com o estudo "O Fim da floresta?  A devastação das Unidades de Conservação e Terras Indígenas no Estado de Rondônia", produzido pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).  Segundo o estudo, a "persistência de padrões convencionais caracterizados pela exploração predatória de madeira, a pecuária extensiva e a concentração fundiária, com reflexos no crescimento desordenado das cidades e o aumento da violência, têm contribuído para a intensificação de pressões sobre as unidades de conservação, terras indígenas e outras áreas protegidas no estado".

Rondônia tem um dos mais elevados índices de desmatamento da Amazônia Legal, com acúmulo, até o ano de 2007, de quase 9 milhões de hectares, o que representa 44% da área originalmente coberta por florestas.  Os dados mais recentes mostram que, entre agosto de 2007 e abril de 2008, o aumento da área desmatada foi de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior e os municípios de Porto Velho e Nova Mamoré se classificaram entre os mais desmatados de toda a Amazônia.

O documento, embasado nesses índices, busca mostrar as causas e apresenta propostas para controlar o problema.  Além da persistência de padrões predatórios na Amazônia, o relatório acusa condições precárias das Unidades de Conservação e terras indígenas.  "Todas as áreas protegidas apresentam problemas crônicos relacionados à alocação e manutenção de pessoal qualificado, infra-estrutura física e, sobretudo, à garantia de fontes permanentes de recursos financeiros para a sua gestão e proteção".

Expectativas econômicas geradas por empreendimentos como as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e a pavimentação da BR-319, segundo o relatório, têm contribuído para a intensificação do desmatamento.

O relatório também aponta diversas incoerências nas políticas públicas para a Amazônia em Rondônia, como a atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que muitas vezes desconsidera a existência de Unidades Estaduais de Conservação, e os programas de crédito rural e fomento ao setor agropecuário.  "A publicação demonstra que a devastação de áreas protegidas em Rondônia é o reflexo de uma crise de governança, marcada por interesses privados de grupos políticos e econômicos que se infiltram nas mais diversas esferas da máquina governamental, comprometendo o funcionamento de instituições públicas, os interesses coletivos da sociedade e ao próprio Estado de Direito".

Propostas de ação - Entre as ações para conter a expansão do desmatamento, o GTA Rondônia propõe a definição e execução de uma agenda emergencial, com apoio de forças federais, para "promover a imediata desintrusão de Unidades de Conservação e terras indígenas dominadas pelo crime ambiental organizado", e aprimorar os instrumentos legais para combater a impunidade.

Além disso, propõe a criação de um fundo estadual para financiar ações de implementação e manutenção de áreas protegidas a longo prazo, "de modo a garantir investimentos necessários para dotar as Unidades de Conservação e terras indígenas de orçamento adequado, inclusive para estruturas físicas, equipamentos e custeio de ações essenciais".

O documento considera fundamental garantir a transparência e o acesso público a informações sobre o licenciamento e controle ambiental em Rondônia e pontua ações específicas para reservas extrativistas e terras indígenas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Não queremos calar! Queremos justiça!!!!!!!!!!Queremos o Claudemir Gilberto Ramos , livre...de que tem medo,senhores???....da verdade????

Queremos que Claudemir Gilberto Ramos,fique livre!livre das penalidades que pesam contra ele,das quais ele é inocente! Ou querem os adversários que ele acabe como seu pai,morto de emboscada injustamente, para poderem rirem nas costas e roubarem,grilarem madeiras a vontade???Mas isso não irá acontecer!! Sabem porque?  Porque quando ADELINO RAMOS  o  LÍDER tombou,deixou um legado ao seu filho...o da verdade...o da justiça e o da paz.senhores leitores,o que o Claudemir Gilberto Ramos mais quer é ter sua liberdade de volta que tão covardemente lhe foi tirada,arrancada  por pessoas inescrepulósas que lhe negaram o direito de defesa.
Ele não quer vingança,ele confia que o único que poderá se vingar e justiçar pelas próprias mãos é DEUS!
Portanto o que Claudemir Gilberto Ramos quer,é o direito de ir a uma Igreja com a familia assistir uma missa,é ir num centro comunitário com os amigos, pegar no cabo de uma enxada e carpinar no quintal de sua humilde casinha,é levantar a voz bem altto para agradecer a Deus por tudo de bom e de encinamento que a vida lhe trouxe e sobretudo perdoar seus inimigo.Esse é o filho muito honrado de um senhor muito honrado que hoje se encontra  no céu junto á DEUS!
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